Recentemente, foi aberta ao público a zona da Mata do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Há largos anos atrás, assisti nessa zona do Jardim a uma peça de teatro e fiquei fascinada com aquela parte, fechada ao público. Vi as notícias sobre a abertura e que se podia fazer a pé e também num autocarro híbrido e que assim a Baixa e a Alta passavam a estar ligadas por dentro do jardim.

Ora, como já escrevi aqui, as nossas férias são mais por casa e apostando em programas baratinhos. Vai daí, achei que a visita à Mata do Botânico seria ideal.

Resolvi que iríamos só ao fim da tarde, depois do Joaquim dormir a sesta e quando está mais fresquinho. Fiz uma consulta entre amigos que já tinham feito o percurso e decidi que iríamos descer a pé e subir de autocarro.

Deixámos o carro junto aos Arcos e lá fomos nós Botânico adentro. O Joaquim foi no carrinho e eu sei que estão a pensar “ela é maluca, aquilo não dá para levar carrinhos de bébé”. Eu pensei “eh pá, na primeira parte, o Joaquim vai a pé e um de nós carrega com o bengala pelas escadas até chegarmos à nova parte em que aí já dá para descer com o carrinho, porque não há escadas. Primeiro problema ultrapassado, achava eu.

Demos uma voltinha, vimos as árvores, o pai cerejo falou dos seus conhecimentos de botânica, vimos os peixinhos e chegados ao tal portão por onde eu tinha passado há uns anos atrás, estava fechado. Mau, pensei eu, então mas afinal a mata está aberta ou não? Encontrámos várias pessoas com a mesma pergunta que nós e juntos lá descobrimos que tínhamos que sair pelo portão dos Arcos e seguir por fora até à nova entrada, na Rua do Arco da traição, por detrás das Químicas para então fazer o percurso pela Mata. Ora, não sei se era da hora (18h), mas fica aqui o meu desagrado por não se conseguir, sem sair do jardim, visitar simultaneamente a parte antiga e a parte nova…espero que seja por questões ainda de obras e remodelação, porque caso seja para ficar assim, posso dizer que acho estúpido, mas isso sou eu que não percebo nada de gestão de espaços. Segundo problema ultrapassado. Saímos, demos a volta e lá chegámos ao portão novo.

A Mata é mesmo muito bonita, está arranjada, limpa, fizeram uma parte nova no meio com um pomar e escadinhas, não tem magotes de gente, está-se mesmo bem. Um de nós foi pelo caminho normal com o Joaquim no carrinho e outro foi com as miúdas pelas escadas e caminhos mais pequenos. Soube bem. Demorámos meia-hora, mais coisa menos coisa, tirámos fotos, parámos para ler as placas, para ver a folhas e flores, foi uma descida calma e descontraída. Terceiro problema ultrapassado. As miúdas aguentaram bem o percurso a pé e deu para levar o carrinho de passeio. Uma ressalva que não há casas-de-banho no percurso todo, portanto, garantam que a vossa canalhada esvaziou a bexiga antes de começarem a descer, é um conselho de amiga 😉

Chegados ao fim, na Rua da Alegria, está um antigo elétrico, e os miúdos estiveram lá dentro a brincar. Giro! Depois, fomos tentar perceber onde é que parava o autocarro da nova linha do botânico e eu tinha visto que parava na Rua da Alegria. Mas como não conseguimos perceber onde raio ficava a paragem (ou nós estávamos muito xexés, ou então é mesmo difícil de encontrar), decidimos ir para a paragem na Emídio Navarro que fica mesmo ao pé do semáforo (em frente ao chinês). Felizmente, o senhor da tabacaria disse-nos que deveríamos fazer sinal ao autocarro que ele parava ali, pois na paragem também nada indicava que o autocarro podia ali parar. Nós tínhamos um cartão de senhas de viagem e pensávamos que ainda tinha senhas, e por isso não me preocupei em comprar os bilhetes em adiantado…asneira! Paguei o bilhete a bordo e ficou por seis euros, quando podia ter ficado por 2,5 euros se tivesse comprado 4 viagens em adiantado. Fica a dica, meus amigos, comprem um cartão de viagens de véspera para ser mesmo um passeio à pelintra 😉 Foi a estreia do moranguito a andar de autocarro, não queria entrar, estava com medo, mas quando o senhor lhe deu os auriculares, ele ficou intrigado com aquilo e foi fácil de o convencer. Quarto problema ultrapassado. A viagem é rápida e gira. Subimos por onde descemos, mas a olhar para cima, a ver a copa das árvores, porque o autocarro tem tecto de abrir, que grande ideia! Os auriculares servem para ouvirmos a história do Jardim enquanto viajamos, em várias línguas. As  miúdas adoraram esta parte do passeio.

Queríamos voltar para o carro, mas como a paragem é na Rua Larga e tínhamos tempo, decidimos passear na Via Latina e marmitar água, bolachas e maçãs por lá. Estava um dia óptimo, eram 19h e estava calor, sem vento. E aquela sensação de sermos turistas na própria cidade, é mesmo muito gira. Quinto problema…não ultrapassado. As cerejinhas quiseram fazer xixi, eu sabia que havia uma casa-de-banho ao lado da capela da Universidade, mas chegadas lá, já estavam fechadas…eram 19h45m, eu sei, mas a via latina estava ainda cheia de gente e havia muitas crianças, não acho decente. Quer-se-me parecer que quem gere espaços turísticos nunca os deve ter visitado como turista mesmo, para sentir quais as necessidades que um turista tem…mesmo às 19h45 de um dia quente de Agosto.

Pensámos em ir ao Machado de Castro…que já estava fechado. Estão de certeza a pensar “ó pá, eu tinha agarrado na garota e tinha ido com ela a um cantinho qualquer para ela fazer xixi”. Não! Como íamos jantar na zona da Sé Velha, descemos e pedi à garota para aguentar só mais um bocadinho. E ela aguentou!

Foi um passeio muito relaxante, vale a pena. Aconselho!

Podíamos ter ido também à esplanada do Museu da Água refrescar e depois passear na Baixa, mas já tínhamos feito isso noutro dia, por isso voltámos logo para cima no autocarro da linha do botânico que vem de Santa Clara e pára na primeira paragem do parque da cidade, aquela antes do Itália. Também é um percurso giro para fazer na totalidade, fica para outro dia.

(as fotos não estão nada de jeito, que esqueci de levar a máquina e o telemóvel estava parvo e não tirava fotos de jeito, mas também não foi para isso que lá fui, foi para passear sem distrações)