Dicas para mães de gémeos

Ter só um filho ou ter um amontoado deles

17 Julho, 2015

Quando se tem só um filho, a pergunta “quem é que deixou os brinquedos aqui todos espalhados?” é redundante; só há um culpado. A não ser que o pai tenha andado a brincar com aquela tralha toda, às escondidas.
Quando se tem mais que um filho, sabemos qual é que foi, mas fazemos a pergunta na mesma à espera que o dito se acuse ou haja um filho bufo que diga “foi ele”. No fim, acabam todos a arrumar, porque a mãe é que manda.

Quando se tem só um filho sabemos sempre quem é que se está a meter na nossa cama a meio da noite.
Quando se tem mais que um filho perguntamos “tu és qual?” àquele que está ali a querer deitar-se ao nosso lado.

Quando se tem só um filho, compramos roupinhas a fazer conjuntinho, mesmo que seja nas lojas baratas, trocamos a roupa a cada micro-nódoa, passamos tudo a ferro e temos roupa guardada no armário para aquela ocasião especial que depois, nesse tal dia, já não serve.
Quando temos mais filhos, tudo faz conjunto e só evitamos conjugar amarelo com castanho, compramos roupa só em lojas baratas, só mudamos a roupa com vomitado ou cócó, para as datas especiais vestem a roupa que esteja mais ou menos, que não esteja rota ou muito desbotada, aprendemos a dobrar roupa logo que sai do estendal e só passamos a ferro o que estiver mesmo muito engelhadinho.

Quando se tem só um filho, temos a manta para o ovo, a fralda com o nome para tapar do sol, o porta documentos a condizer com a mala de maternidade.
Quando se tem mais que um filho, cobrem-se com o que estiver mais à mão, o casaco da mãe ou a manta dos piqueniques, tapamos o sol com um pano qualquer, passamos a usar mochila para ter as mãos livres e guardamos os documentos num envelope de plástico ou naquela oferta foleira que vinha com os cremes para o rabo.

Quando só temos um filho, telefonamos ao médico a cada espirro, tosse ou pintinha no corpo.
Quando temos mais que um filho, pensamos que percebemos tanto quanto os médicos e sabemos identificar todos os sintomas, mas no fim acabamos na mesma por telefonar ou ir ao médico, porque o número de filhos não nos vacina para o medo.

Quando temos só um filho, esperamos que ninguém toque à campainha e o acorde, saímos de fininho do quarto e controlamos as visitas.
Quando temos vários filhos, andamos sempre a pedir aos outros que não acordem o bébé, dizemos coisas estúpidas como “se acordam o mano, ficam vocês a tomar conta dele” e habituamo-los a dormir com barulho porque sossego nesta casa é coisa que não há.

Quando o nosso único filho faz um cócó até ao pescoço, ficamos ali concentradas a resolver aquela porcaria, munidas de toalhetes, resguardos e roupa suplente, e nada nos retira dessa tarefa complicada.
Quando o nosso filho mais bébé faz um desses cócós, um dos outros filhos desfraldado há pouco tempo resolve pedir para fazer cócó nesse exacto momento, os outros dois filhos desatam a engalfinhar-se um no outro e só ouvimos choro, berros e sons de estaladas na cara de certeza absoluta, um dos outros filhos parte qualquer coisa na sala ou dá um espalho no chão da cozinha porque andou a lavar o chão com a esfregona ainda húmida.

Quando se tem só um filho, pensamos muitas vezes em ter outro e qual será a altura certa, com que idade será mais fácil para o nosso querido filho passar a ter um irmão. Ou então, estamos bem assim e não pensamos em mais nenhum. Ou gostávamos, mas temos a família longe e trabalhamos por turnos. Respondemos imensas vezes com um sorriso e um “qualquer dia” àquela pergunta habitual “então, para quando outro filho?”.
Quando se tem dois filhos ou um amontoado deles, ficamos em pânico de cada vez que nos esquecemos de tomar a pílula e pensamos que o carro e a casa estão completamente atafulhados de gente e tralha. Apesar de tudo, apesar de sermos mais que as mães, ainda respondemos muitas vezes à pergunta “então, vão ao quarto?”.

Quando se tem um só filho ou um amontoado deles, temos muito em comum: sorrir com o coração a toda a hora, pensar neles todos os minutos do dia e sentir um amor para além do que se julga possível.

E desejar que o pão tenha acabado para ir lá abaixo, ao café, só um bocadinho, sem ninguém atrás…acabando por levar sempre o pão que eles mais gostam.

  • Responder
    Amaral
    23 Dezembro, 2015 at 8:25

    É tudo isso e como passa tão rápido visto 30 anos depois e olhamos para dois netos lindos e nos continuamos a preocupar na mesma com os três filhos, as noras ou genros e os pimpolhos netos Bjocas

    • Responder
      mamã cereja
      23 Dezembro, 2015 at 11:24

      Eu gostava de ter uma avó assim como a helena 🙂 Beijocas

  • Responder
    Mário Martins
    28 Julho, 2015 at 11:40

    Muitos Parabéns pelo texto! Tanta(s) verdade(s).

    • Responder
      mamã cereja
      28 Julho, 2015 at 15:54

      Oh, obrigada! Bem-vindo 🙂

  • Responder
    Oryanaa
    22 Julho, 2015 at 12:28

    Identifiquei me tanto com tudo, inclusive com a cena do hospital. Ia sempre eu sozinha com algum deles pois o pai tinha de ficar em casa a tomar conta do resto do pessoal. Lembro me de uma vez em que tinha 2 doentes e acabamos por ir os 5 às urgências. Quando chegou a nossa vez ao ver entrar tanta gente, o médico perguntou-nos se andávamos de viagem … 😀

    O pior é que as coisas não melhoram com a idade, ou então umas melhoram, mas outras pioram…vá. Por aqui já estamos com idades entre os 12 e os 17 anos, mas há dias ainda tão complicados… principalmente por se trabalhar a muitas dezenas de km e não termos ninguém com quem contar. Mas lá se vai avançando com a vida e até que não nos saímos mal, pois na maioria das vezes até somos felizes e eles bem educadinhos.

    Muitas felicidades!!

    • Responder
      mamã cereja
      22 Julho, 2015 at 14:47

      ” pois na maioria das vezes até somos felizes e eles bem educadinhos.” É isso mesmo, muito bem dito! Obrigada pelas palavras doces. Um beijinho.

  • Responder
    meninamundoblog
    21 Julho, 2015 at 12:15

    Olá mamã cereja, gostei especialmente deste post, por aqui temos apenas a Menina Mundo, mas o desejo é que sejam mais :), sem certeza de desejarmos um amontoado ;P

    • Responder
      mamã cereja
      21 Julho, 2015 at 14:27

      Ohhhh, obrigada!! Vocês iam ter um amontoado lindíssimo e feliz, de certezinha…assim como essa menina mundo tão fofinha.

  • Responder
    Jair Tavares
    21 Julho, 2015 at 12:02

    Artigo espectacular

    • Responder
      mamã cereja
      21 Julho, 2015 at 14:25

      Obrigada!

  • Responder
    ZPaulo
    17 Julho, 2015 at 13:46

    Bestial! Excelente descrição do que se passa também em minha casa! 😀
    Mas a paternidade/maternidade não deixa de ser a melhor coisa do mundo.
    Muitas felicidades!

    • Responder
      mamã cereja
      17 Julho, 2015 at 14:53

      Ora viva! Que bom que é ter um pai a comentar os meus artigo, bem-vindo e tens toda a razão!

  • Responder
    Sónia Pires
    17 Julho, 2015 at 12:45

    É tudo isso! E ainda há quem continue a ter a lata de nos perguntar quando vamos ao quarto. Reconhecem-nos coragem, talvez, ou loucura!
    Ao quarto vou todas as noites tentar recuperar do desgaste e quase só isso. E o pânico de que a contraceção falhe e aí sim, tenhamos o chamado acidente que felizmente até agora foi tudo programado e lá venha efetivamente o quarto para uma casa já sem quartos, lotada até à espinha de roupinhas engelhadas e com nódoas!

    • Responder
      mamã cereja
      17 Julho, 2015 at 14:53

      Pois, como te percebo! Eu também costumo dizer que é mais loucura que coragem,ahahahahha.

  • Responder
    17 Julho, 2015 at 12:04

    Ahahahahaha… como é verdade tuuuuuuudo isso… eu fui mae de uma antes de ser mae de um amontoado delas… 🙂 e isso é a mais pura das verdades… ahahaha

    • Responder
      mamã cereja
      17 Julho, 2015 at 14:54

      Tu és o máximo!

  • Responder
    graciete
    17 Julho, 2015 at 9:42

    verdade verdadinha 🙂

    • Responder
      mamã cereja
      17 Julho, 2015 at 14:54

      🙂

  • Responder
    MMS
    17 Julho, 2015 at 9:07

    🙂 ainda só tenho um mas adorei o texto! E o final está uma delícia 🙂

    • Responder
      mamã cereja
      17 Julho, 2015 at 14:54

      Oh, obrigada!

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