Quando temos um interesse começamos a ter relações com pessoas que o partilham e depois passam a ser “os amigos que fazem ginástica comigo” ou “aquele amigo que também gosta de carros”…por aí. Aqui esta senhora tem assim algumas dessas pessoas, tem vários grupos de amigos. São os do teatro, os de curso, os da pós-graduação, os do atenas, os do Fundão, os da informação médica, os amigos dos amigos. E os que também são pais de gémeos. Acreditem, não é uma irmandade, mas anda lá perto. Alguns são amigos que conheço pessoalmente, outros são virtuais. Alguns que eram da net, passaram a ser de carne e osso, principalmente os que vão ao encontro anual. E claro que temos tendência a querer conhecer todos os pais de gémeos das redondezas, os amigos falam-nos de amigos e vizinhos deles que também têm gémeos. É natural, ter gémeos, pode não ser nada de extraordinário, mas faz-nos sentir especiais, nem melhor, nem pior, apenas especiais…

Costumo dizer que é uma coisa que se pega. Ora vejam.

No meu curso, Bioquímica, somos quatro mães de gémeos que eu saiba, duas do meu ano e duas do ano anterior. Alguém disse que era das aulas práticas. Sim, acho que talvez fosse do magnetismo que havia nas aulas de física laboratorial: aquilo para mim era tudo um fenómeno!

Depois, em 2010, houve a iniciativa de Limpar Portugal e formaram-se grupos por concelho. No nosso, havia já uma mãe de gémeas. E nos anos seguintes passámos a ser mais três pais e uma avó de gémeos. Será que foi do lixo? Mais um fenómeno.

Isto a propósito desta e desta notícias sobre gémeos. É um assunto que suscita natural curiosidade, é inevitável. Ainda hoje, a pergunta que mais oiço é: “são gémeas?”. Respondo que sim e agora até já são as cerejinhas a dizer “sim, somos gémeas”. De seguida a observação: “ah, mas são falsas!”. Respondo “são, são do mais falso que há. Ui, estas? Nem imagina como são falsas!” (eu, armada em engraçadinha…não há pachorra).

E sabem o que acho muito giro nisto de ser mãe de gémeas? É ver as cerejinhas a brincarem com outros gémeos, é tão giro, há ali qualquer coisa de diferente, sente-se algo de único no ar…é ter sempre mais dois amigos para brincar num casa só, é encontrar as diferenças em mais dois amigos gémeos, é partilhar ainda mais, a quadruplicar.

E no encontro anual, a parte que eu mais gosto, é a fotografia de grupo, apenas com as crianças. Juntá-los todos não é fácil, há sempre um ou dois que faz um berreiro gigante, porque não quer ficar ali sentado sem os pais; há sempre aqueles que se viram de costas, ou se levantam ou fogem quando a máquina dispara; e é tão giro comparar com as fotos dos primeiros encontros em que estavam quase todos nos carrinhos e agora já andam, e já não têm feições de bébé. É um momento muito doce que espero se repita por muitos anos, com mais ou menos gente, mas conto ir todos os anos…ao piquenique dos gémeos como chamamos cá em casa.

(fotos da minha querida R)