Dicas para mães de gémeos

Separar os gémeos na escola, sim ou não?

4 Maio, 2016

Quem tem gémeos passa a vida a responder a imensas perguntas, algumas das quais sobre qual é a mais sossegada, a mais irrequieta, qual dorme melhor, qual come pior. As pessoas tendem naturalmente a ter curiosidade por gémeos (dos outros, ahahah) e inevitavelmente a compará-los. Mesmo que não sejam verdadeiros, mesmo que sejam o dia e a noite como as minhas, as comparações surgem naturalmente.

Quando me comecei a deparar com isto de educar gémeas, pensei muitas vezes se ia conseguir não as comparar e tratá-las como seres únicos, indivíduos com personalidades diferentes. E essa também sempre foi a minha batalha nas escolhas de escola: elas não são as gémeas, mas sim a Laura e a Júlia. Apesar de ter isso em mente, eu própria dou por mim muitas vezes a compará-las, a observar as diferenças e às vezes, a pensar que, caramba, não precisavam de ser tão diferentes…é que assim tenho muito mais trabalho, muito mais.

Outra coisa que me preocupava, era se ia cair na tentação de ter uma das filhas preferidas, porque quando se tem só um filho, é esse o nosso preferido, não temos mais nenhum para comparar. Mas quando se é mãe de múltiplos, há pelo menos dois filhos que nasceram no mesmo dia, com a mesma idade para serem o filho preferido da mãe. E agora a malta da psicologia e pedagogia e o diabo a sete vai-me cair em cima: eu tive uma das gémeas preferida em vários momentos do crescimento delas. Foi inevitável! As cerejinhas são tão diferentes em tanta coisa que as diversas etapas do desenvolvimento correram melhor ou pior com uma ou com a outra e, naturalmente, eu ligava-me mais a uma do que a outra. E nem sempre foi com a mesma. Nos primeiros três meses liguei-me mais à L, porque ela só adormecia ao meu colo. Até ao ano, adorava a J, porque ela era muito mais sorridente e castiça do que a mana. Pelos 14 meses estava mais ligada à L que já andava e falava que se desunhava. Pelos dois anos a cerejinha J era mais carinhosa e fazia mais festinhas. A minha filha preferida foi mudando de acordo com a vivência da altura. Tentava contrariar isto e não o dizia à boca cheia, mas sentia-o, sentia que tinha uma filha preferida. E uma mãe de gémeas não pode ser condenada por sentir isto. Acontece. É natural. Desde que não se torne doentio ou duradouro, é natural. Também cheguei em determinadas alturas a dizer ao pai cerejo que ele também tinha uma filha preferida. Não gostou nada de ouvir isto…mas lá reconheceu. E também é natural.

Hoje em dia já não tenho esse sentimento, não tenho um filho preferido. Talvez tenha caracterísitcas preferidas e outras que não gosto mesmo. Há traços de personalidade de cada um dos meus filhos que eu adoro e há outros que detesto e que me envervam. Por exemplo, adoro a capacidade de empatia da cerejinha L, mas irrita-me que seja trapalhona. Adoro a capacidade de inventar histórias da cerejinha J, mas irrita-me que se isole e fique no mundo da lua a toda a hora. Adoro a simpatia do moranguito, mas irrita-me que esteja sempre a precisar de me ver.

A cerejinha L é muito mais sociável do que a J, que se isola um pouco e não gosta nada de confusões. Mas que quando consegue estabelecer ligação com alguém, é um doce e super-querida. A L tem mais momentos de bater o pé e ser teimosa, mas com jeitinho consegue-se domar. A J tem muitos momentos em que chora, porque diz que não gostam dela, ou encuca qualquer coisa, ou diz que está triste. E digo-vos que este tipo de personalidade me preocupa muito mais do que a outra ser respondona e teimosa, porque acaba por ser mais decidida, dominadora, controladora das situações e…da irmã. E esta é outra preocupação para uma mãe de gémeos, quando um deles é dominador sobre o outro e digo-vos que é uma chatice, esta coisa da competição entre irmãos a toda a hora é uma seca, é difícil de contrariar…

Temos tentado, em conjunto com a educadora, que a cerejinha J se comece a emancipar…mas ela é naturalmente tímida e mais lenta nas decisões. Em casa, por vezes, tenho que fazer com que seja a Jú a primeira a falar ou a escolher as coisas para não ser influencida pela irmã, e também porque gosta pouco de ter trabalho (ela é um bocadito preguiçosa). E temos tentado que a Laura dê espaço à irmã (e a toda a gente que ela leva tudo à frente…é tão mãezinha, jasus!) e respeite as escolhas e decisões da mana. Andamos nisto, de tentar que a cerejinha J seja mais participativa e a L mais calma…E quando chegar a altura de fazer trabalhos de casa de duas ao mesmo tempo com carradas de trabalhos para fazer e ritmos diferentes, jantar e coisas para orientar, e um irmão mais novo e uma cadela…a sério, MEDO!!!!!

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Tadinhas, só têm 5 anos e eu já ando com estas coisas de pensar como é que vai ser na escola primária…enfim! Mas a verdade é que tenho lido vários testemunhos de mães de gémeos que os separaram na escola e que correu tudo bem. E de outras que os filhos precisam de continuar juntos para ter rendimento escolar. Tinha pensado pedir a opinião de mães de gémeos sobre este assunto, de educadores e professores, psicólogos e terapeutas, mas o tempo não é elástico e eu ando cansada. Vai daí, comentários abertos à vossa experiência, contem-me tudo: separaram os gémeos na escola ou não? Porquê? Está a correr bem ou estão arrependidos? Eles é que pediram? O que dizem as teorias? Há tratamento para uma mãe à qual lhe falta ainda um ano e meio e já anda com estes pensamentos?
Obrigados!

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  • Responder
    Miriam
    8 Setembro, 2017 at 1:43

    Boa noite, sou mae de gemeas com 21 anos.As minhas andaram sempre no mesmo infantario, na mesma turma até o 12º, e tiraram o mesmo curso, apesar de serem falsas gemeas e com personalidades muito diferentes.
    Brigavam muito , mas nao passavam uma sem a outra. Agora uma vive longe, falam ao telefone quase todos os dias,e sentem a falta uma da outra, sempre que podem estão juntas.
    O relacionamento dos irmaos gemeos é muito mais forte do que simples irmãos. Na minha opinião não devem ser separados, mesmo quando um é mais dependente do outro, pois o mais fragil poderá ficar deprimido com a ausencia do irmão e agravar a situação.
    Beijinhos e muita saude para as suas lindas meninas!!

    • Responder
      mamã cereja
      11 Setembro, 2017 at 12:17

      Muito obrigada Miriam, a voz da experiência é sempre boa de ouvir.Continue por cá 😉 E Parabéns pelas meninas recém-formadas!

  • Responder
    carina Meireles
    21 Maio, 2017 at 22:32

    Olá mãe, por aqui também sou mãe de gémeos, no meu caso tenho um casal (com 4 anos e 8 meses) em que ela é a dominante e ele, uma inocência que não faz mal a ninguém…sim, questiono muitas vezes a separação ou não deles com a entrada na primária, mas o meu maior dilema reside em atrasar, ou não, um ano a entrada na escola…os testemunhos aqui escritos foram, sem dúvida uma grande ajuda…relativamente ao facto de adiar a entrada, vou ficar alerta em relação a tudo o que está à minha volta e seguir o que achar ser o melhor para eles…beijinhos

    • Responder
      mamã cereja
      22 Maio, 2017 at 12:08

      Carina, o que tenho lido e verificado, é que atrasar mais um ano a entrada na primária para meninos que fazem anos depois de setembro, é benéfico para as crianças. Estão mais maduras, têm mais entendimento, conseguem perceber melhor o que significa ir para a escola. No entanto, nada disto é regra, depende muito das crianças, porque algumas com 5 anos e pouco já têm maturidade suficiente e sobretudo, vontade de ir para a escola. A opinião do educador é muito importante, e o coração de mãe e pai é sepre soberano. Um beijinho e boa sorte!

  • Responder
    Isabel
    18 Maio, 2017 at 16:37

    Tenho um casalinho com 14 meses. Sei que ainda é muito cedo para me preocupar com isso, mas eu nunca pensei em separá-los. Porquê? Para quê? São irmãos. São gémeos. São especiais. E é assim que têm que aprender a crescer. Com as igualdades e as diferenças um do outro. Foram concebidos ao mesmo tempo, nasceram com um minuto de diferença. Estiveram sempre juntos todo o dia, todos os dias. Penso que seria uma violência para eles, de um dia para o outro, serem separados. Se fosse comigo ia-me sentir perdida, aterrorizada… Só de pensar sinto-me agoniada. Se forem eles a pedir para se separarem, claro que sim, mas por imposição minha, não o faria. Tenho tanto orgulho nos meus gémeos e sinto-me tão feliz quando os outros pequeninos passam por mim no infantário e comentam com os pais “olha a mãe dos gémeos”! Acho lindo!

    • Responder
      mamã cereja
      22 Maio, 2017 at 12:05

      Esse sentimento de orgulho é único! 😉

  • Responder
    Vera Gomes
    18 Maio, 2017 at 14:49

    Já dei o meu testemunho no Face, mas depois de ler alguns comentários aqui, não posso deixar de dar minha opinião.
    Beatriz e Catarina, hoje com 17 anos, nunca foram separadas, estão no 11º na mesma área e vejo que estão inclinadas para fazer o mesmo Curso.
    Na primária tentei separá-las, elas negaram-se e eu respeitei. Não me arrependo.
    Cada caso é um caso, mas adorei ler o testemunhos dos gémeos aqui.Crescer ao mesmo tempo com um irmão, contar com ele, ser o melhor amigo, é uma dádiva.
    Outro dia eu dizia na mesa do jantar que senti que Beatriz não andava mto bem (ela tem problemas de ansiedade), que meu coração de mãe percebia estas coisas. Resposta de Catarina: Mas o meu coração é de irmã gémea e sabe mais que o teu, pq ninguém conhece minha irmã como eu! É isto!
    Boa sorte a todos com seus gémeos e sabemos que sempre quando fazemos uma escolha, achamos sempre que estamos fazendo o melhor para eles, mas também é preciso escutá-los!

    • Responder
      mamã cereja
      22 Maio, 2017 at 12:04

      Tem toda a razão, ouvi-los é o melhor conselho! Também gostei muito de ver testemunhos de gémeos aqui no artigo. Um beijinho

  • Responder
    Anabela Bernardino
    27 Junho, 2016 at 11:39

    Deixo aqui o meu comentário como gémea e mãe de gémeas (que também deixei na página do facebook):
    Pergunte a dois irmãos gémeos que sempre estudaram juntos se são menos “eles” por terem sempre o(a) mano(a) ao lado. Eu sou gémea, estudei sempre com a minha mana, até o doutoramento fizemos na mesma faculdade com o mesmo orientador e terminamos no mesmo dia – é claro que os temas eram diferentes mas a área do doutoramento era a mesma. A nossa entre-ajuda na escola foi fundamental para termos tido sucesso na nossa vida académica e profissional. Hoje com 38 anos trabalhamos juntas no mesmo gabinete. Houve tantas críticas ao modo como os nossos pais nos educaram – tantos professores, colegas e familiares acharam que o nosso percurso tornava-nos demasiado dependentes uma da outra. Se calhar sim, se isso me deixa infeliz – eu considero-me tão especial por ter crescido sempre acompanhada com uma amiga com quem partilhei e ainda partilho tão bons momentos – se as decisões dela e vice-versa afetaram as minhas, claro que sim, como todos os que estão ao nosso redor afetam as nossas decisões- pais, amigos, professores, todos eles afetam o nosso percurso na vida e muitas das nossas decisões vêm das sugestões de outras pessoas. Acresce o facto de que eu e a minha mana somos gémeas idênticas e que muitas pessoas ao nosso redor não nos conseguiam diferenciar porque nos vestimos de igual até muito tarde (até a minha irmã se casar) e como é óbvio sempre fomos tratadas por gémeas/manas, inclusive por amigos e muitas vezes trocavam os nossos nomes – e daí? Se trocarem o meu nome, que seja por o de alguém por quem tenho um amor incondicional… Sempre soube que eu era Anabela e ela Eugénia. Eu e ela temos vidas independentes – ambas somos casadas com maridos totalmente diferentes (o dela loiro o meu moreno), vivemos em cidades diferentes e ambas temos dois filhos mas sim continuamos muito ligadas… Passamos todos os anos pelo menos uma semana de férias juntas com os nossos pais, ligo-lhe com frequência quando não a vejo mais de um dia e vejo-me velhinha ao lado dela – isso diz tudo – é aquela pessoa que me completa… como existem outras, como os meus pais, marido, filhas e sobrinhos (amo-os como se fossem meus). Faça o que achar melhor para eles, mas nunca pense que serão infelizes por viverem juntos. A dependência só é má se for levada ao extremo. Eu não conheço os seus filhos e só você e o seu marido pode tomar as decisões de educação deles. A minha pediatra nunca me aconselhou a separar as minhas filhas e a vesti-las de forma diferente – ela tem trigémeos e com 15 anos continuam a estudar os 3 na mesma turma e ela diz que não pensa em separá-los, a menos que eles assim o desejem. Cada pediatra tem a sua opinião…

    • Responder
      mamã cereja
      27 Junho, 2016 at 12:59

      Ohhhh, Anabela, obrigada pelo seu testemunho!!! Até fiquei emocionada…realamente, a ligação entre gémeos é qualquer coisa de mágica…obrigada, ajudou-me muito 🙂

  • Responder
    Carla Vicente Pinho
    17 Maio, 2016 at 23:34

    Olá Carlinha! Sinto que já sabes no teu coração de mãe, o que pensas ser melhor. Mas que ainda não consegues materializar em palavras ou decisões!
    Não há escolhas perfeitas, totalmente correctas! Melhor que ninguém conheces a J e a L…
    Segue o teu coração, não racionalizes em demasia!
    Independentemente da decisão que tomarem, haverá sempre momentos em que surgirá a dúvida…!
    Mas é um processo que devem ir preparando, sobretudo para elas!
    As crianças têm uma capacidade de adaptação absolutamente fabulosa…

    Beijinhos grandes mãe cereja!

    • Responder
      mamã cereja
      31 Maio, 2016 at 12:28

      Obrigada minha linda!!! No próximo ano tenho que ver como evoluem as cerejinhas <3

  • Responder
    Isabel Silva
    5 Maio, 2016 at 1:25

    Olá mamã cereja ! O meu nome é Isabel e também sou mãe de gémeas. Elas já tem 10 anos. Adorei o seu texto, parece que fala das minhas gémeas ! Retrato idêntico ao aqui de casa! Relativamente à questao que coloca, posso lhe dar o meu testemunho, pois essa também foi uma preocupaçao nossa quando elas iniciaram no 1°ciclo. Consultamos um psicólogo para nos aconselhar, lemos imensas coisas sobre esse assunto e nada ajudou. A professora da pré, aconselhava a seguirem para turmas separadas, e eu gostava que assim fosse. Desde que nasceram, tive uma luta incessante para serem seres diferentes:nunca as vesti de igual, sempre as tratei pelos nomes e preferia que seguissem caminhos paralelos. No entanto, a leitura, o psicólogo e o pai diziam o contrário :que nao deviam ser separadas! E assim foi, seguiram para o primeiro ciclo na mesma turma. Mas se fosse hoje, faria diferente! Muita coisa se agravou: uma delas tem um dependencia afetiva da irma tao grande, que impede o desenvolvimento emocional e intelectual, a autonomia individual e o desenrascar-se. Neste ultimo ano, o 4°, foi o pior. Tivemos que tomar a decisao de colocar uma das gemeas no regime de educaçao especial, a unica opçao que temos para ela ter apoio nas matérias escolares. Foi muito difícil, mas ela tem superado e os resultados melhoraram. Antes de chegar a este ponto, elas tiveram que fazer uma avaliação psicológica para ver se tinham algum deficit congnitivo. Os testes não deram essa indicação, no entanto pelos desenhos delas, a forma como se desenham é sempre de extrema proximidade ficando o resto da família mais distante. A relação entre elas ficou mais intensa, de tal maneira que nunca ouvem quando chamamos por elas e quando ouvem vêm sempre as duas. Quando se chateiam uma com a outra, tornam-se vada vez mais agressivas e chegam a agredir-se mutuamente. Dado tudo isso, o psicólogo ja aconselha a serem separadas no 5° ano e cá em casa também vamos separa-las de quarto. Por isso mamã cereja, aconselho-a a separa-las já no primeiro ano. Dessa forma, vao crescer de forma individual, ter os seus próprios amigos, ir às festas de aniversário separadas, e vão -se ja habituando que deve ser assim. Antes nessa idade, quando a adaptaçao é mais fácil, do que mais tarde, que vão se tornando mais conscientes. No meu caso, não sei o que me espera com esta separação, mas espero que seja um impulso positivo para o crescimento emocional e intelectual de ambas. Espero ajudá-la na sua decisão.

    • Responder
      mamã cereja
      6 Maio, 2016 at 15:47

      Olá isabel, imagino a angústia! Obrigada pelo seu testemunho, de facto, é uma decisão difícil…ainda tenho um ano para ter mais certezas. Um beijinho e espero que corra tudo bem e que as suas filhas encontrem o equilíbrio.

  • Responder
    Marcia
    5 Maio, 2016 at 1:00

    As minhas foram separadas esse ano pela escolha da escola.Admito q sofri mais q elas.Mas no começo reclamaram mais hj vão bem para a escola.Estão felizes….sabem q São poucas horas separadas.E nisso a q era mais dependente da irmã;está ficando mais independente.E acho q essa separação está sendo bom sim.Pra cada uma ter sua individualidade.

    • Responder
      mamã cereja
      6 Maio, 2016 at 15:44

      Obrigada pela ajuda! <3

  • Responder
    Ana
    5 Maio, 2016 at 0:11

    Olá 🙂
    Não sou seguidora assídua do blog, nem nunca antes tinha comentado, mas desta vez tinha de o fazer.
    Não tenho filhos gémeos, mas tenho uma irmã gémea. Na escola andámos juntas até ao fim da primária. No 5º ano fomos para turmas diferentes, por opção própria. Não tenho dúvidas de que no nosso caso foi a melhor opção. Acho que a separação nas turmas evita (ou atenua) um pouco a inevitável comparação entre irmãos, que no caso de gémeos é mesmo muito acentuada. Lendo as descrições que fez das duas, eu ocupava sem dúvida a posição da cerejinha J e não me custou nada a separação da minha irmã, muito pelo contrário. Eu própria sentia que era o melhor para mim (claro que já era um bocadinho mais crescida do que as cerejinhas). Mesmo em termos de criar amizades, penso que é bom que cada uma crie o seu grupo de amigos, ajuda a que deixem de ser “as gémeas” e passem a ser a J e a L.
    O que eu lhe posso dizer é que se fossem as minhas filhas, não teria dúvidas em separá-las logo na primária. Não estamos 24 horas por dia colados aos nossos outros irmãos, porque é que haveremos de estar aos gémeos? Não acho sequer que isso seja vantajoso.
    De qualquer forma, cada caso é um caso, e o importante é que tente perceber o que é melhor para elas. Nesta altura ainda são muito pequeninas para pensar no assunto e provavelmente dirão que querem ficar juntas, mas se optar por não as separar esteja atenta porque alguma delas pode mudar de ideias entretanto e ter medo ou vergonha de o admitir (principalmente no caso da J) ;).
    Um beijo e não se preocupe demasiado com o assunto porque as consequências as consequências não vão ser graves, qualquer que seja a decisão 🙂

    • Responder
      mamã cereja
      6 Maio, 2016 at 15:43

      Oh Ana, muito e muito obrigada pelo seu comentário! Sim, vou estar atenta, eu sei que às vezes a cerejinha J pede para fazer coisas sozinha e também acho que encarava um decisão destas com mais leveza do que a irmã, que apesar de ser mais desinibida, é mais controladora e gosta de ter a irmã sempre por perto. Mas de facto, elas têm uma ligação especial, mas não precisam de estar 24h ligadas…um beijinho

  • Responder
    Catarina Lúcia Carvalho
    4 Maio, 2016 at 21:39

    Nós separamos as nossas em setembro passado, aos 3anos. Foi uma decisão muito difícil. Pedimos opinião à pediatra e a uma psicóloga. Todos eram da opinião de separar. Pensámos muito, ponderamos prós e contras e concluímos que, a longo prazo, seria melhor para elas estarem em salas separadas.foi o melhor que fizemos, está a correr tão bem, fez- lhes tão bem em todos os sentidos. Estamos muito felizes por termos tomado esta decisão. Mas cada família deve tomar a decisão que entender que será melhor para os filhos.

    • Responder
      mamã cereja
      6 Maio, 2016 at 15:41

      Obrigada Catarina! Ainda bem <3

  • Responder
    Anouska
    4 Maio, 2016 at 18:28

    Nao, nao, naooooooo! O.o separar os gémeos? Como gemea, nao me ocorre nada mais terrível. Na minha altura separar os manos estava muito na moda, felizmente a minha mãe nunca o permitiu. Mesmo assim, nas visistas de estudo por vezes lásurgia una alma que nos separava. Era horrível. Lembro.me de uma visita ao planetario em que chorei o tempo todo. Penso que haja sempre um gemeo mais dominante e um outro mais tímido. Ok, os gémeos são muito ligados um ao outro, e depois? Vão ter tempo de se separar. Eu so me deparei da minha irmã no 10o ano, porque teve de ser. Ficar com ela na turma foi o melhor que poderiam ter feito. Duvido que fosse gostar da escola ou estar atenta se nos tivessem separado logo ao inicio. Tanta coisa nova e desafiante com que lidar, ainda acrescentar o trauma (para nós seria mesmo um trauma, nao estou a exagerar) de separar duas crianças que desde o útero partilham a companhia uma da outra? A infância vai passar rápido. Quando forem adultas cada uma vai à sua vida. Têm tempo de estar afastadas!
    (desculpa se pareci muito radical, mas este assunto aumenta.me o ritmo cardiaco eheh)

    • Responder
      mamã cereja
      6 Maio, 2016 at 15:38

      Oh, não foste nada radical! Ainda bem que vieste dar a opinião, que é sempre útil saber a perspectiva de quem é mesmo gémeo. Obrigada <3

    • Responder
      Alexandra
      27 Maio, 2016 at 14:26

      Sou a irmã gémea da Anouska e partilho a mesma opinião: Não separem os gémeos! Qual é o mal de eles serem assim tão ligados um
      ao outro? Ainda hoje, com 24 anos, e embora não veja a minha irmã todos os dias (ás vezes nem todas as semanas…) sinto que estou sempre ligada a ela. As relações entre gémeos são diferentes das relações com outros irmãos: A minha irmã é a minha metade, o meu apoio, a minha âncora. Nunca vou amar ninguém, nem me sentir tão ligada a outra pessoa, como me sinto com a minha irmã. Não vejo o mal nisso. Se conseguia viver sem ela? Não. Tenho a certeza que a relação que tenho com ela seria completamente diferente se tivéssemos sido separadas na escola. Eu acho que não há motivo para preocupações: Na escola, passávamos bastante tempo separadas, às vezes nem nos sentávamos ao lado uma da outra. Na primária, chegávamos a passar o dia todo sem falar uma com a outra. Mas sabia que ela estava ali. Podia olhar para ela. Não separem os gémeos, por favor. No mundo que vivemos agora, em que estamos tão desligados do que está a nossa volta, a ligação entre gémeos é das melhores coisas que podemos assistir.

      • Responder
        mamã cereja
        31 Maio, 2016 at 12:30

        É verdade, a ligação entre elas é tão terna!!! Obrigada Alexandra pela sua perspectiva…às vezes, precisamos saber o que pensa que é gémeo, porque pode ser diferente do que pensa uma mãe de gémeos. Beijinhos.

  • Responder
    Eunice Dionisio
    4 Maio, 2016 at 15:17

    Olá.
    Não tenho filhos gémeos, mas o meu marido é gémeo com o irmão e sempre andaram juntos, na escola a tirar a carta de condução, tudo. Hoje passados 50 anos de terem nascido continuam sempre juntos até no trabalho. Eu acho(mas sou eu) que devia de ver como tem sido até agora e como seria o facto de as separar, elas iriam gostar, ou sofrer. beijocas espero ter ajudado.

    • Responder
      mamã cereja
      4 Maio, 2016 at 16:24

      Na escola elas fazem actividades em separado e por vezes, pedem-me para fazer coisas comigo sozinhas, sem a mana. Mas é uma coisa esporádica. Quando uma está doente, a outra vai à escola, mas acredita que passam o dia a falar na mana e a fazer desenhos para a outra. Mas tudo isto é só de vez em quando, não é todos os dias. Esta separação elas aceitam bem. Já terem turmas diferentes…uhm não sei…Mas o meu medo é a J sentir-se inibida pela irmã e não conseguir ser independente…caneco, estou feita!

      • Responder
        Anouska
        4 Maio, 2016 at 18:36

        Eu penso que quando eramos pequenas eu era mais desinibida que a minha irmã em algumas coisas, e ainda agora, mesmo com ela casada, se for sozinha com ela comprar uma fartura numa roulotte, por exemplo, ela vai.me pedir de certeza para ser eu a falar com a senhora eheh. Pode ser só a dinâmica delas, entre elas, nao significa que isso esteja a comprometer a independência de uma delas 😛 mas como mãe, ninguém perceberá estas situações melhor que tu!

        • Responder
          mamã cereja
          6 Maio, 2016 at 15:39

          Pois, tenho que estar atenta…ainda falta um ano, talvez consiga ter mais certezas nessa altura. À partida não pensari em separar, mas se a cerejinha J continuar a mostrar desinteresse ou esteja sempre na sombra da irmã, tenho que pensar bem. Beijinhos

        • Responder
          Alexandra
          27 Maio, 2016 at 14:32

          Desculpem vir aqui só corroborar aquilo que a minha irmã diz, mas é que é mesmo isso. Na nossa infância, a Anouska era sem dúvida a dominante. Ainda agora. Não vejo mesmo problema nenhum disso, sinto-me sempre segura com ela. Se estiver ai pé dela isso nota-se. Também incomodava os nossos pais, mas a nós nunca nos incomodou. Nem nunca influenciou em nada as relações com os nossos amigos e outras pessoas. A prova disso é que eu, mesmo sendo mais tímida e inibida, me casei primeiro que ela hehehe. Acho que não há motivos para preocupações 🙂

          • Responder
            mamã cereja
            31 Maio, 2016 at 12:31

            Pois, a minhda dúvida surge por temer que a mais tímida não saia da casca, ehehehe. Obrigada, beijinho!

  • Responder
    Sandrine
    4 Maio, 2016 at 15:11

    Ai Carla…acho que esse é um dos grandes dilemas das mães de gémeos!! Eu ainda não passei por ele por isso ainda tenh muitas dúvidas acerca do assunto!! Algumas dirão que os separou outras que os deixaram juntos…acho que depende muito de criança para criança e nada melhor do que nós, as mães, e os pais para decidirem o que melhor se adequa aos seus filhos! Uma grande amiga minha também tem gémeas e estão agora no 4º ano…sempre estiveram juntas no 1º ciclo! Mas, em conversa, a minha amiga disse-me que caso soubesse no passado o que sabe hoje, as teria separado no 1º ano! Ambas têm boas notas mas, a minha afilhada, a C, tem de trabalhar muito mais do que a irmã e as notas são ligeiramente mais baixas…o que as deixa a ambas por vezes incomodadas, a C porque a mana teve melhor nota que ela e não se esforçou tanto e a J porque também queria que a mana tivesse tão boa nota quanto ela! Relativamente à socialização elas também são muito diferentes…a C é muito protetora da irmã e se vê uma situação em que sente que a irmã está a ser “dimuída” ou gozada (mesmo que isso não seja verdade), intervém logo e cria rivalidades…acaba por isso, por ser, em certa medida, posta de parte por alguns amigos da J e depois ambas ficam tristes e cabisbaixas com a situação. A minha amiga hoje sente que, se tivessem sido separadas teriam criado um núcleo distinto de amigos, teriam aprendido a lidar com as situações individualmente em vez de contarem sempre com o apoio uma da outra…o que pode ser bom mas também não!!
    Espero não te ter baralhado ainda mais 🙂

    • Responder
      mamã cereja
      4 Maio, 2016 at 16:27

      Esse apoio é lindo, mas de facto impede que a mais frágil resolva as coisas por si só. Um amigo costuma dizer que a J pode começar a dizer a quem se mete com ela “não me faças isso ou solto-te a minha irmã”…ahahahhaha. Talvez elas consigam ajudar também nesta decisão, talvez consigam dizer se querem ou não estar na mesma turma…juro que é um assunto que me angustia. Assim de repente a minha resposta seria não, não as vou separar. Mas tenho medo que a J seja condicionada por essa opção, porque sei que prefere estar com apoio da irmã do que sozinha…ai, mãe sofre!

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