Sou uma mãe diferente agora que tive outro filho, um de uma vez só, em vez de dois ao mesmo tempo, aos pares.

A grande diferença é que aproveito muito mais o meu filho do que aproveitei as gémeas. Consegui dar-lhe muito mais atenção, consegui estar só com ele. Com as gémeas, quase nunca estava a sós com uma delas, quase nunca tinha uns minutos de uma filha só.

Costumo dizer que só comecei a gozar as minhas filhas, a partir dos três meses quando começaram a sorrir e a interagir alguma coisa comigo. Até lá, eu estava sempre a fazer as mesmas coisas, ora com uma, ora com outra; ou estava a dar leite, ou a mudar fraldas, ou a trocar roupa bolsada, ou a dar banho, ou a dar leite, ou a embalar na espreguiçadeira, ou a dar colo de um lado para o outro, ou a trocar fraldas, ou a mudar roupa. Quase nunca estava só com uma a olhar nos olhos dela, a cheirá-la, a observar cada centímetro de pele; estava sempre a mana ao lado, ou perto.

Agora, quando o pai e as manas saíam de casa, ficava só eu e o meu filho, mais ninguém, só nós dois. E criei vínculo com ele muito mais cedo do que com elas. Liguei-me muito mais cedo a ele do que às manas. Não sei se percebem, é uma coisa estranha. Quando fui mãe pela primeira vez, demorei algum tempo a sentir-me mãe, a sentir aquele amor desmedido. Sentia-me cuidadora, sim. Mas mãe, só aos três meses. Só num dia em que as coloquei as duas no berço e sorriram uma para a outra, é que o meu coração despertou e senti “aquele” amor, aquele quentinho no coração, aquela felicidade…e a dobrar!

Agora senti essa onda de amor muito mais cedo. E não é por ser rapaz, que dizem que se ligam muito às mães. É por ser apenas um.

Sou uma mãe diferente agora. Muito mais prática. Muito mais desenrascada. Se esse é o segredo para ser mãe de gémeos, ser prática e descomplicada, agora, mãe de segunda viagem, é o meu lema.

O lavatório serve bem para dar banho e lavar o garoto. Não se dá comida com colheres especiais, é com uma qualquer que esteja na gaveta. Não se compram babetes novos para a sopa: vão os que lá andam por casa já encardidos, não interessa, e também serve uma fralda de pano à volta do pescoço. Só se troca roupa se o miúdo estiver vomitado em mais do que 5 cm. Vai connosco para todo o lado, quer esteja sol ou frio, ou a chover. Não temos dúvidas se o pomos a ver tv-para-embrutecer-bébés-que-dá-muito-jeitinho-para-ir-ao-wc-e-assim. Não compramos montes de roupa, esperamos pelas promoções e vamos comprando à medida que vai deixando de servir. Deixamos de esterilizar biberões e de usar o detergente para bébés muito cedo. Começa a comer da comida que está na mesa lá para os nove meses, porque estamos fartas de fazer sopa só para ele.

Sou uma mãe diferente agora. Com muito menos paciência, sem filtrar o que digo à frente do garoto, porque tenho as outras sempre a pedir atenção ou em modo birra, ou em modo actividade. Não sou tão paciente e não faço tantos jogos e estímulos, como com elas. Deixo-o no meio das manas e vou à minha vida. E ele fica para ali a fazer não sei bem o quê, que elas tomam conta dele um bocadinho e eu só lá vou se ele guinchar ou chorar muito alto. As cerejinhas é que são as professoras do moranguito 😉

Sou uma mãe muito mais completa.

E também sou uma mãe com muito mais medos, porque agora tenho mais um filho.

(ele é vidrado nas irmãs, é uma coisa louca)