Ontem li este post e não posso concordar mais. Eu não tinha muitas destas certezas, mas tinha algumas. A do co-sleeping era-me mais ou menos imposta pela sociedade. Assim que cheguei a casa com duas gémeas e a morrer de sono, passou-me e decidi ser adepta do co-sleeping (vejam aqui).

Outra escarreta é a de inscrever a criançada em actividades quando ainda são pequenas. Eu era daquelas que achava ridículo uma criança de 3 anos ter uma actividade para além do jardim-infantil, que parvoíce, uma criança dessa idade quer é brincar, isso são os pais que metem na cabeça que os miúdos têm que estar ocupados, que passam para eles as vontades que nuncas lhes fizeram e mais um monte de balelas.

Até que se é mãe e se chega à conclusão que as crianças mostram naturalmente vontade de experimentar coisas, que são curiosas, que se identificam com outras crianças que fazem coisas para além de brincar.

Quando as cerejinhas nasceram, uma das minhas preocupações era a individualidade delas, ou seja, era saber se eu teria capacidade de as estimular como indivíduos únicos e não apenas como as minhas filhas gémeas. Mas digo-vos, no caso delas, nem precisava de ter pensado nisso, porque desde cedo que me mostraram que são gémeas, mas podiam ser vizinhas, eheheh, de tão diferentes que são. E nisto das actividades e das curiosidades não fogem à regra.

A cerejinha J diz há muito que quer ir para o ballet. Sempre que vê aqueles programas de dança fica siderada e sempre que ouve música, desata a dançar, nunca está quieta, está sempre a fazer algum passinho de dança. E depois também é assim muito dada às princesas e essas cor-de-rosices. Andamos na fase de experimentar, ela de facto ainda é muito pequenina, mas esforça-se e eu sei que ela gosta mesmo daquilo. Mas ainda não conseguiu perceber que tem que ir sozinha e está muito tímida. Vamos tentar mais uma vez, se não der fica para o ano.

A cerejinha L é ginástica, ginástica, ginástica. Na creche tinha esta actividade todas as quartas-feiras e sempre que eu dizia “hoje é quarta-feira”, ela respondia “é dia de ginástica”. O professor uma vez disse-me que ela era especial, e eu nunca vi, mas imagino-a a querer ser a primeira, a mandar nos outros miúdos para não fazerem barulho, ela leva aquilo a sério. E em casa? Está sempre a saltar no sofá, a tentar dar cambalhotas, a saltar e a esticar as pernas para cair sentada, sempre a correr. É uma miúda física. Ah, e tem uma paixão pela I que é ginasta (a semana passada disse-lhe “gosto de ti daqui até ao céu”).

Se me dava mais jeito elas gostarem da mesma coisa? Dava! Mas elas são assim, diferentes e eu sou assim, mole. E então desato a procurar soluções para as cachopas.

E ontem fui procurar um dos sítios desta cidade. Não vou nomear, porque eu é que sou a esquisita, mas juro-vos que há muito não entrava no Portugal profundo aqui tão perto.

Lá fui eu, atravessei a cidade, e no meio das ruelas, obviamente perdi-me. Parei ao lado de duas senhoras, perguntei e uma disse “é aqui atrás”. “Então, mas e agora onde é que eu estaciono?”. A senhora muito simpática diz “vira ali à esquerda que eu tenho ali um cantinho e deixo-a lá estacionar o carro”. Olha que bom, está a começar bem. Estava a dizer às miúdas para sairem quando a senhora bateu no vidro e diz “O vinho que eu bebi enganou-me, o que a menina quer é ir para o campo”. “Não, eu quero mesmo a sede”. E ela torna “ah, então o vinho que eu bebi afinal não me enganou, é ali onde lhe disse”. Seguiu-se o palavreado do costume sobre se são gémeas, ai tão diferentes, e agora vem aí mais outro, deus a ajude a criar essas meninos, obrigada digo e sigo a passos largos que já estou atrasada.

Entro em mais uma ruela, uma sala, com pais e crianças e mais não sei quê à mistura, miúdos pequenos e maiores, e a minha L a começar a encolher-se, a ficar cheia de arrepios. E eu também. Não quis ir para os colchões fazer a aula, ficou ao meu lado a ver, descalça. Começou a dizer “mas eu não gosto, tem meninos muito grandes”. E também foi super antipática com a professora, acho que nem para ela olhou. E eu comecei a dizer-lhe que se ela queria mesmo ir para a ginástica tinha que experimentar, tinha que fazer o que a professora dizia ao lado dos outros meninos. Ao mesmo tempo que dizia isto, eu própria já estava a ficar passada com o barulho. Nisto, começamos a ouvir músicas da Violetta…what??? E a L diz “a música tá muito alta, não gosto mamã”. Ainda esperei mais um pouco. Olhei para a minha filha e viemos embora. Os outros meninos e pais estavam satisfeitos, eu é que sou uma esquisita e a minha filha vai pelo mesmo caminho.

Amanhã experimentamos outro sítio, vamos lá ver. O que eu queria mesmo não tem vaga (fiquei tão lixada, uma tarde inteira para a inscrever e depois nada…humpffff).

Elas pediram um gelado, decidimos ir ao fórum jantar e comer o gelado no fim; acho que o gelado safou o final do dia. Também não fui feita para comer em shoppings, fomos ao h3. Um horror! Salgadíssimo, legumes horríveis, carne rija…e hoje acordámos os dois mal dispostos e olhem, que não é da gravidez que tomei o nausefezinho à noite. Aquilo não era supostamente um fast food melhorzinho???

Juro que não me volto a meter noutra, juro.

 

(ah, obrigada P por estas fotos tão adoráveis!!!)