Um dia perguntaram-me “tu eras meninas do papá, não eras?”. Foi um amigo que me ouvia falar do meu pai, muitos anos depois de ter morrido, depois de a filha dele ter ficado sem mãe e de ele me confessar que agora tinha que ser mãe e pai ao mesmo tempo para a filha. Falava sobre como é difícil educar sozinho. E eu para o ajudar, dizia-lhe que iria ser muito difícil, mas que a filha iria sempre sentir um orgulho enorme do pai que tinha, iria recordar todos os momentos e palavras com uma saudade imensa e um amor incondicional. Que ele iria fazer o melhor que sabia e podia, e que a sua filha iria ser sempre menina do papá, porque ele era um pai às direitas.

Fui para casa e depois do jantar, andava atarefada a levantar a mesa, a rabujar com toda a gente, a pensar nas mil e uma coisas que tinha que fazer, a bufar com as centenas de coisas para arrumar, com o monte de coisas para tratar. Na sala, as meninas brincavam com o pai e eu rabujava pela casa fora. Na hora de ir para a cama, estava a preparar-me para ser a má da fita, mandar fazer xixi e lavar os dentes, dizer pela quinquagésima vez que tinha acabado a hora da palhaçada, quando entrei na sala e consegui ouvir as gargalhadas e a felicidade com que as minhas filhas brincavam com o pai. E lembrei-me da conversa com o meu amigo.

Nesse momento, tive a feliz capacidade de não interferir, de os deixar brincar e estar juntos sentados no sofá a conversar, de estarem abraçados. E tive a certeza que tenho duas meninas do papá. E fico muito feliz com isso.

Ser menina do papá é ter um ídolo permanente, o nosso pai. E é muito muito bom, garanto-vos.

Ser menina do papá é contar com o pai para tudo, saber que quando precisamos de ajuda para cortar um papel ele está lá, que quando batemos com o joelho ele nos vai buscar o gel de arnica, que quando queremos ver desenhos animados ele se senta no sofá connosco, que quando lhe queremos contar uma coisa nos ouve, que só ele corta o pão da maneira que mais gostamos.

Ser menina do papá é ter um amigo permanente para brincar que é um ídolo também para os nossos amigos, quando nos vai buscar à escola.

Ser menina do papá é ver os olhos brilharem imenso quando o nosso pai fala de nós aos amigos dele.

Ter um pai presente é tão bom, mas tão bom, que chega a fazer-me chorar. Ter um pai presente é ter sempre colinho e atenção. Ter um pai presente é sentir sempre segurança e apoio.

Às vezes, nós mulheres, esquecemo-nos de como é bom ter o pai dos nossos filhos presente. Ralhamos muito com eles, que não fazem isto, ou que fazem aquilo mal, que estão sempre assim ou assado. Implicamos, discutimos, reviramos os olhos, fazemos por eles, choramos, desabafamos. Ralhamos muito, mas talvez não saibamos mesmo o que custa criar os filhos sem o apoio deles. Porque há tantas mulheres que têm os maridos longe e têm que cuidar dos filhos sozinhas, e apesar de tudo correr pelo melhor e de os filhos serem felizes, davam tudo para que os filhos crescessem com os pais presentes e terem com quem partilhar todos os dias a tarefa de educar os filhos.

Ser um pai presente não é ajudar, é estar, é ser pai. É ser um sócio activo desta sociedade chamada família com uma quota parte igual à mãe. É aproveitar tudo o que os filhos nos dão de igual forma. E quem fica a ganhar são só e simplesmente os filhos. E os pais sabem disso!

Porque ser menina do papá é do melhor que há!