Ontem fui ao cinema. À Festa do Cinema Italiano, ver este filme extraordinário Viva la Libertà.

E o que liga este filme a este blog? Pensava eu que nada, pois parti para o visionamento sabendo pouco sobre o filme. A não ser que era italiano e como gosto do cinema italiano, fui ver sem medos.

Descubro que é a história de um político, Enrico, líder da oposição italiana que em época de eleições está a afundar o partido e vive obcecado pelas sondagens. Cansado, resolve fugir. O assessor, desesperado, inventa a mentira de que o senador está a recuperar de uma pequena cirurgia e por isso tem que ficar em repouso e afastado da vida activa durante uns dias. Descobre entretanto que existe um irmão gémeo do senador, Giovanni, escritor, doente bipolar. Junto com a mulher de Enrico, propõem-lhe fazer-se passar pelo irmão para salvar o partido.

A partir daqui todas as palavras, gestos, olhares e imagens do filme são de uma poesia e de um humorismo brilhantes. Ficamos a desejar ter políticos assim, ficamos a pensar como gostaríamos que os portugueses não tivessem medo, ficamos imbuídos de uma vontade de civismo, de abraçar as nossas crias, de as ajudar a crescer para serem pessoas decentes.

A melhor frase do filme é, quando perguntam ao político substituto o que o move, ele responde:

Quero libertar os italianos do medo.

Não tenhamos medo, nunca. E nem estou a falar de política. Estou a falar de sermos verdadeiros, simples. De não termos medo de errar, de perguntar, de pedir ajuda. Não termos medo de abraçar, falar, elogiar. De nunca nos deixarmos vencer pela multidão, pelo que é normal e pelo que toda a gente faz. De não termos medo de pensar pela nossa cabeça. De não termos medo de pedir desculpa, de tentar outra vez.

 

A braços com estes pensamentos, lembrei-me de a minha amiga Inês, no último ano da escola secundária me dizer a propósito de não sei o quê, “tu não tens medo de ninguém”. Agora esta frase tilinta na minha cabeça. Será verdade?

 

Tenho medos, sim…vários. Sobretudo daqueles que nos levam um pedaço do coração, que nos tiram alguém da nossa vida. Desses, tenho pavor.

 

Só não deixo que me toldem a visão. Só não deixo que me comandem a vida.

 

Avancemos, sem medos.

 

(fico de coração cheio quando vejo interpretações geniais como as de Toni Servillo e Valerio Mastandrea)