Primeiro preciso dizer que sou um naba em termos de manualidades e nunca, nunca, tive jeitinho nenhum para artes. No entanto, sou um consumidora activa (não tanto como já fui) e fanática de arte: teatro, cinema, pintura, fotografia, música, design, exposições, artesanato, instalações.

Quando fiquei grávida das cerejinhas, começou a nascer em mim o interesse pelo artesanato para crianças e fiquei fã de brinquedos feitos à mão. As hormonas encarregaram-se de me apresentar o pinterest e as infindáveis páginas de artesãs ou em estrangeiro “crafters”. E nasceu em mim uma mãe que meteu na cabeça que haveria de fazer cenas manuais e caseiras com as filhas, mesmo que fossem esquisitas ou imperfeitas.

O pai cerejo é que é o artista da casa, ele faz e consegue coisas absolutamente originais, ele é carpinteiro, pintor, designer, costureiro, artista plástico, músico, botânico…tanta coisa.

Ao mesmo tempo, fui lendo umas coisas sobre educação e parentalidade, descobri os princípios montessori e mais tarde a abordagem reggio-emilia (tenho que um dia escrever sobre isto na perspectiva de mãe) e fez-se luz sobre aquilo que gostava de proporcionar às minhas filhas: recursos para se interessarem por artes plásticas e depois logo se via se gostavam ou não, mas pelo menos seriam expostas a materiais, imagens, exposições, criações. Sim, é verdade, talvez estivesse a transportar para as minhas filhas a-pintora-famosa-que-nunca-fui, mas achei que não lhes ia fazer mal nenhum ter contacto com papel e lápis de cera desde cedo (por volta dos 18 meses), aguarelas e pincéis, telas, cola batom, canetas, cola normal, tintas e um sem número de materiais que aproveitava ou que trazia da rua, e que para muitos são desperdícios.

Desde cedo que as meninas têm à sua disposição, à altura delas e dividido por caixinhas, tudo o que precisam para criarem. Os amigos também nos costumam “despachar” coisas que depois usamos. Elas fazem desenhos, construções, oferecem prendas, personalizam embrulhos, tudo com um toque artístico. E claro está que fico muito orgulhosa das minhas pequenas artistas.

Nisto tenho que fazer jus ao trabalho magnífico do jardim-infantil que desenvolve projectos com a arte por base e juro-vos que as minhas meninas têm descoberto tanto, mas tanto, porque conheceram, por exemplo o Matisse ou o Pollock, descobriram as técnicas e aplicam-nas por aí, conheceram os países de origem deles, olham de outra forma para o mundo, estão mais atentas aos pormenores, às cores, aos tons, crescem muito.

Um casa com arte é uma casa viva e bela. Na nossa, não há molduras nas paredes nem a encher tampos de móveis. Há desenhos pendurados com molas ou fita-cola, recortes espalhados nas mesas, pequenos papelinhos nos bolsos da mãe, roupa pintada, há colagens, há imaginação e muito cor.

A arte plástica ajuda-nos a sonhar e a ver para além do óbvio, ajuda-nos a sorrir e a perguntar, ajuda-nos a ficar bem. Todas as artes. A educação pela arte devia estar em todos os currículos escolares, mas de uma forma viva e divertida, com professores que gostem realmente de “ensinar” arte e tenham autonomia para o fazer, com criatividade e dedicação, e não com metas limitadoras.

E os pais têm tantas vezes exposições à porta de casa, muitas vezes gratuitas. E museus, por mais pequenos que sejam, têm sempre algo de interessante. Basta procurar nas agendas culturais das cidades. Desafio-vos a trocarem o shopping ou o café por um museu ou exposição por mês para visitar em família. Vão ver que vai ser bom para todos.

até no chão desenham

 

(e porque é que incluo este assunto no tópico das Estratégias para gerir um amontoado? Porque é um bom programa para fazer com todos, uma visita a uma esposição ou museu, e porque em casa é uma boa forma de os manter entretidos. E assim, temos sempre muita arte por onde escolher para termos a casa decorada. Não faz mal dar canetas de feltro a crianças pequenas, elas aprendem facilmente onde devem e não devem pintar. Não faz mal sujar as mãos com tinta: a água lava. Não faz mal usar cola para fazer colagens com pauzinhos, fitas, lã, bocados de papel, areia. Não faz mal pintar as conchinhas que todos os anos trazemos da praia. Há imensos sites e recursos na net com ideias para fazer com crianças. Uma dica: as idades recomendadas são apenas isso mesmo, recomendadas; os pais é que têm que perceber se os filhos estão ou não preparados, ou têm interesse em usar um objecto. O moranguito, por exemplo, tem dois anos e eu já o deixo usar tesouras pequenas, das verdadeiras: ele experimentou, conseguiu perceber como funciona e eu fiquei tranquila. Da mesma forma, quando lhe dá a pancada de andar pela casa de caneta de feltro em punho sem tampa, tem a mãe a encaminhá-lo para a mesa e a dizer “pintar é no papel”)

entretido com as aguarelas