Como não tivemos oportunidade de ir ao cinema ver o “Principezinho” (ou com a minha filha diz “O Princesinho”) o Pai Natal teve a generosidade de nos trazer o livro do filme para que pudéssemos inteirar-nos da história, na nossa hora do conto. Achei, inclusive, que era uma óptima maneira de entrarmos em contacto com a famosa obra de Antoine de Saint-Exupéry e suscitar-lhes a curiosidade para a mesma – penso, aliás, que seja esse um dos objectivos do filme.

É a história de uma menina que para corresponder às expectativas da mãe, não consegue ser criança. Convicta que só assim será uma adulta realizada e de sucesso, a mãe fez-lhe “um “, plano de vida” que ela tem de obedecer rigorosamente. Nesse “plano de vida” todos os momentos estão planeados ao minuto. Existem horários para tudo, e não há espaço para a espontaneidade e muito menos para quebrar as regras. A menina conhece então o velho aviador que vive na casa em frente e que se torna o seu melhor amigo (uma relação discutível, tendo em conta o ambiente de paranóia em que se vive actualmente, diga-se de passagem). É ele que, ao longo da história, lhe apresenta o Principezinho, a Raposa e a Rosa e lhe mostra a importância de sabermos brincar, sonhar e mantermos presente a criança que fomos, outrora, pois só assim seremos adultos capacitados para a felicidade. Como o meu filho repete vezes sem conta, imitando a voz do velho aviador: “Crescer não é o problema. Esquecer, é!”. Adoro ouvi-lo dizer isto, por isso peço-lhe montes de vezes que mo relembre.

Nem todas as mensagens do livro são claras para as crianças. Há muitas metáforas ainda difíceis de decifrar, por eles. Mas é isso que torna o livro interessante. De todas as vezes que o lemos, descobrimos ou percebemos algo novo, como o “Só se vê bem com o coração” ou o significado de criar laços. Acho que mais que qualquer outra coisa, é um manual de inteligência emocional, e isso é bom, tanto para crianças como para adultos.

Eu aconselhava-o a todos os pais que sobrecarregam os filhos com actividades extracurriculares e aos professores que acham que duas horas diárias de trabalhos de casa, depois de um dia inteiro na escola, são fulcrais para formar adultos bem sucedidos.

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Marta, autora do blog Um Dia Acabo o Livro, onde partilha histórias e momentos da sua vida com dois filhotes e um cão. Curiosa e atenta, adora fotografar e escrever. Colabora com a mamã cereja nas escolhas de livros infantis