Andava há uns meses a pensar que um dia podíamos ir ao Jardim Zoológico de Lisboa. Lancei-me no site e fiquei com os nervos em franja quando fiz contas ao que ia pagar em bilhetes!!! Isto de ter um amontoado é muito lindo e tal e coisa, mas na hora de desembolsar para visitar alguns sítios fica caro cumó caneco. A outra questão é que tendo a miudagem idades diferentes, há sempre uns que aproveitam mais que outros, mas pronto é a vida.

Como boa pelintra que sou, comecei a tentar perceber de que forma poderia gastar o menos euros possíveis para irmos todos ao zoo. Como o moranguito só pagaria a partir do dia a seguir a fazer três anos (no dia do 3º aniversário, exactamente nesse dia, a criança não paga), concluí que teria que ser antes do puto fazer 3 anos…talvez fosse demasiado cedo para ele se lembrar de alguma coisa, mas paciência, depois um dia voltaria lá. Percebi que existem uma data de descontos  especiais, mas nenhum se aplicava a mim e de repente dou de caras com a dica fantástica de uma amiga (inscrever a maltinha no clube Olá, a criança não paga quando acompanhada de um adulto pagante) que me resolveu o problema. Era a forma mais baratinha de ir até ao zoo.

Esperava eu então o subsídio de férias para guardar uns euros e escolher finalmente a data para fazermos o programa a 5, quando me apercebo deste passatempo no blog A mãe é que sabe e até arregalei os olhos: um dos prémios eram 4 bilhetes para o Zoo de Lisboa. Caraças, vinha mesmo a calhar. Estava com os miúdos a passar uma semana no Fundão, em casa da avó. A net lá é manhosa, tinha levado o iPad, eu sou daquelas que acha que não há nada como um computador e um tecladozinho, e fica cheia de freniquoques quando tem que fazer os trezentos mil passos de um passatempo com um tablet, a abrir e a fechar aplicações, e com uma cerejinha histérica ao lado a perguntar se pode usar o iPad, a martelar-me constantemente os ouvidos com “já posso? ó mãe va lá, era a minha vez” e eu a dizer-lhe com muita convicção “filha, espera um bocadinho que a mãe tem que fazer isto com atenção para não falhar nada, porque hoje é o último dia e é muito importante” e ela continuava a melgar e eu a pensar “porra, pá, queres ver que me falha algum passo e depois não me consigo habilitar ao prémio, e tive um trabalhão do caraças e ainda me chateio com a garota e o raio”. Lá acabei por fazer tudo direitinho, com alguns berros à mistura, passei-lhe o tablet e fui à minha vida que de tão preenchida que é, confesso nunca mais me ter lembrado do concurso. Bem, na segunda-feira seguinte, recebo uma notificação no telemóvel “a mãe é que sabe identificou-te num comentário”. Li aquilo dezenas de vezes, tinha ganho o prémio todo, vários prémios todos juntos (fantásticos, por sinal), onde estavam então os 4 bilhetes para o Zoo. Como é de imaginar, fiquei absolutamente histérica!

E o que faz uma pessoa com 4 bilhetes grátis com validade de 6 meses? Usa-os em tempo útil, certo? E o que faz a mamã cereja com 4 bilhetes grátis com validade de 6 meses? Vai adiando a ida, ora porque está cansada, ora porque há trabalho para fazer, ora porque os putos estão doentes, ora porque nesse mês está curta de massas para gastar em portagens e gasóleo e paparoca, ora porque é operada à barriga, ora porque não pode pegar em pesos, ora porque chove, ora porque há a festa de natal, ora porque o mai novo fica com varicela e começa a ver o fim da validade à vista, dia 31 de Dezembro de 2016.

Eu cá sou muito teimosinha e meti na cabeça que ia e ia mesmo…nem que fosse no último dia, nem que fosse só com elas as duas. E assim foi!

Ia estar sol, era sábado, as meninas estavam com um pouco de tosse mas sem febres, tinha o depósito do carro cheio e 4 bilhetes grátis no bolso. Preparei uma mochila com comida (bolachas, sumos e leite de pacote, água, maçãs e bananas, gomas, batata frita, pão), fiz um saco com roupa suplente, fui buscar o meu cinto cheio de bolsos para não andar com carteira atrás, meti o percurso no gps e lá fomos.

  • A viagem:

Acordei as meninas cedo e disse-lhes “filhas, acordem, a mamã tem uma surpresa, sabem onde vamos?”. Mostrei-lhes o envelope onde vieram os bilhetes (um agradecimento à Vera do zoo que foi muito simpática) e a J adivinhou “já sei, vamos ao jardim zoológico”. Vestiram-se depressa, comeram, fizeram xixi mesmo antes de sair de casa, tomei um café bem cheio e toca a andar. Levaram um boneco para a viagem, roupa confortável, tinha tudo à mão, gps seleccionado, cartão mb à mão, telemóvel em alta voz, pastilhas elásticas para os possíveis enjôos da Jú, bolachas e água ao lado. Afinal ia fazer mais de 200 km sozinha com as duas e quem tem crianças pequenas, vá, quem tem filhos sabe como uma viagem longa pode ser muito stressante! Parámos apenas uma vez na estação de serviço de Santarém, comemos, eu bebi café, xixis outra vez, um bocadinho de parque e ala para Lisboa.  Saí às 9h15, entrei no zoo às 11h45m

  • Estacionamento

Pelo que percebi, deve haver um parque mesmo na linha da frente da entrada do zoo, mas acho que está em obras. Deixei o carro num parque um pouco mais em frente, a pagar, mas estando sozinha com as miúdas, não quis arriscar andar às voltas em Lisboa para encontrar um lugar à borla, ainda para mais já com elas a fazer mil e uma perguntas “é aqui?”, “onde, onde, não estou a ver?”, “mas porque é que estás a voltar para trás?”, “tenho xixi” e eu a tentar perceber o gps e tudo e tudo. Paguei 5 euros por cinco horas mais ou menos…talvez ao domingo não se pague…

  • Entradas

Não foi nada complicado, mostrei os convites, trocaram por um bilhete triplo, carimbaram-nos a mão com tinta invisível para sairmos e voltarmos a entrar, deram-nos um mapa e aí fomos.

Ora, nós éramos três, os convites eram quatro e que fiz eu ao quarto bilhete? Ofereci-o à primeira família com filhos mesmo à entrada do zoo. Calhou serem estrangeiros, ficaram um pouco desconfiados, quando finalmente perceberam que era oferecido e porquê, quiseram pagar ao menos metade do valor do bilhete. Claro que não aceitei, é grátis para mim, é grátis para vós, disse-lhes eu. Ficaram felizes, nós também e assim não se perdeu nada. No fim da cena toda, a cerejinha L estava orgulhosa da mãe e repetia “ó mãe, tu falaste inglês!!!!”

  • A visita

A última vez que fui ao jardim Zoológico devia ter 16 anos…foi há…bem, esta parte não interessa nada que eu não escrevo para ficar deprimida. Nos idos anos 80, o Zoo era muito diferente, lembro-me de conseguir tocar nos macaquitos cuja jaula estava mesmo ali, do elefante que recebia as moedas e tocava o sino, de não saber bem para onde andávamos, de não haver tanta vegetação. Lembro-me muito bem de todos os animais, de tirar a foto mesmo à entrada. Agora, em 2016, as jaulas já não são tão jaulas, são espaços adaptados, um pouco mais afastados das pessoas, mas com muito mais higiene, conforto e sobretudo adequação ao animal. Há mais vegetação, mais naturalidade nos materiais, as placas são mais perceptíveis, há imensa sinalização, o zoo está muito limpo. Parece que o elefante do sino morreu e talvez não tenha conseguido passar a “arte” aos mais novos.

Para as miúdas tornou-se um pouco cansativo. Mas fizemos uma paragem a meio da visita, junto aos primatas para comer e beber da marmita e recuperarem energias. Nãos estava calor nem frio, estava um dia lindo de sol de inverno.

Como já entrámos depois do primeiro espectáculo dos golfinhos (11h) e como tínhamos comido algum tempo antes, decidi fazermos a visita primeiro, almoçar depois por volta das 14h e às 15h ver o show da Baía dos Golfinhos e acho que foi bem decidido.

Elas ainda queriam andar no comboio, mas achei que assim íamos chegar tarde a casa…afinal era o último dia do ano.

  • Alimentação

Há imensos sítios para comer no zoo, desde sandes, a comida de faca e garfo, sopas e também MacDonald’s onde acabámos por ir, confesso que por preguiça minha para estar à procura de outro sítio. A cerejinha J, que não é fã de carne, não comeu nada de jeito, mas eu tinha levado fruta e outras coisas para ela e acabou por compensar o estômago. Gastei 11 euros no almoço.

O zoo tem uma parque de merendas muito fixe e se me tivesse conseguido organizar, tinha levado marmita não só para os lanches, mas também para almoçar e ainda saía mais baratinho.

  • Baía dos Golfinhos

Sim, eu ia entusiasmada,,estava em pulgas por ver os golfinhos e as suas proezas, e também das focas. Como já estava à sombra, estava um pouco frio, mas com os casacões, esteve-se bem. Adorámos o espectáculo, muito bem estruturado, os tratadores são muito bons, os golfinhos são tão queridos, a música era também muito adequada. Só tenho a apontar o tipo de locução do animador, pronto, vá, é um bocadinho à rádio-pirata do início dos anos 90, mas isto são gostos, que foi giro na mesma. A entrada está incluída no bilhete do zoo. Valeu a pena.

As meninas não estavam assim muito animadas, estavam mais atentas e até um bocado apardaladas, acho que a absorverem ao máximo. A cerejinha J talvez estivesse com soninho, estava mais apagadita. Mas depois, ao contarem ao pai e à educadora, deram muitos pormenores e por isso, acho que memorizaram o que viram e gostaram.

  • Apreciação global

O Jardim Zoológico de Lisboa vale imenso a pena ser visitado. E sim, o preço dos bilhetes parece-me justo para o que é feito e se consegue no zoo, para tudo o que envolve manter os animais e o jardim nas melhores condições; apenas aponto a falta de políticas de bilheteira verdadeiramente favoráveis para famílias numerosas, mas uma dia quem sabe.

O mapa é muito simples de usar pelas crianças, a cerejinha L depressa entendeu o esquema, adorei.

As cerejinhas pediram para ler os nomes dos animais apadrinhados e sim, esta também é uma boa iniciativa.

Acho que antes dos cinco anos, levar as crianças ao Zoo, a não ser que se tenham descontos ou ofertas especiais, é desperdício. Acho sinceramente que se tivessem ido antes, não tinham aproveitado tanto como agora. Sim, iriam gostar muito, lembrar-se, falar disso, mas aproveitar mesmo, com interesse por aquilo que estão a fazer, querer que se lhes leia o que comem e de onde são, estar sentado apenas a observar, isso só se consegue depois dos cinco anos. Portanto, moranguito só vais ao Zoo daqui a três anos (ou mais, eheh).

No caminhos para o carro, decidimos escolher o animal que mais tínhamos gostado de ver. A cerejinha J escolheu a zebra, eu a girafa e a cerejinha L o koala e sei que elas se vão lembrar para sempre deste nosso dia a três, que nos estava a fazer falta. Foi uma boa forma de terminar o ano!

(dormiram a viagem quase toda, só acordaram na estação de serviço de Pombal, chegámos a casa e os nossos homens estavam a fazer um polvo à lagareiro para o nosso jantar de final de ano. Estávamos todos felizes. Foi bom! À meia-noite, batemos os tachos na varanda para afastar o ano velho, deitámo-nos, eles contentes com o fogo de artifício e eu exausta que tinha feito quase 500km de uma assentada e já não vou para nova).

Bem-vindo sejas 2017, queremos-te novo e melhor!