Desde que nasceu o meu terceiro filho que esta palavra não me sai da cabeça e que me parece a mais acertada para descrever esta aventura de ter três filhos.

Assim que a data prevista para o parto se aproxima começamos a ouvir falar em dilatações. Dizem-nos que não temos dilatação nenhuma ou que temos poucos centímetros ou dedos ou lá o que é. E chega aquele momento em que passamos dos 6 para os 10 cm num ápice, qual anúncio de automóvel topo de gama que faz dos 0 aos 100 em poucos segundos. E somos mãe outra vez.

Desde que me tornei mãe de três que muito dilatou.

Dilatou a minha capacidade de amar e de sofrer. Amo muito mais. Amo três filhos, amo uma família maior, amo um marido mais um bocadinho e tenho que me amar mais a mim também, porque afinal gerei mais uma vida.

Dilataram o número de unhas para cortar, 80 no total, sem contar com as do pai que isso faz ele sozinho.

A quantidade de roupa suja, a lavar, estendida e à espera no cesto para ser passada, dilatou brutalmente. E a minha capacidade para escolher roupa que não precisa de ser passada a ferro e que bem dobradinha e engavetada, fica impecável, também dilatou.

Dilatou a minha lata para pedir coisas emprestadas e que em vez de darem brinquedos ao recém-nascido, tragam antes um pacote de fraldas ou toalhetes.

Este bébé dilatou muito mais o número de horas acordado do que as irmãs com o mesmo tempo de vida, porque agora não há sossego nesta casa, seja pelas cantorias da música do frozen, seja pelas birras, seja pela gritaria das brincadeiras das manas ou dos berros da mãe.

Dilatou a conta da luz porque o bébé nasceu no inverno, a conta da água porque há mais roupa para lavar e banhos para tomar, a conta do supermercado e da farmácia.

A quantidade de pó acumulado, de cotão enviado para debaixo do sofá, de brinquedos espalhados por todo o lado, dilata diariamente. Bem como a minha capacidade de não ligar nenhuma a isso.

Dilatou o número de vezes que levo com repuxos de xixi que agora há um mini-homem a quem mudar a fralda e confesso a minha nabice em tratar de meninos e a preferência por tratar de meninas. Também dilatou a minha capacidade de dizer tudo o que me apetece e me vai na alma, que não tenho tempo para fretes e outras subjugações.

O espanto com que vejo as minhas meninas de três anos e meio serem tão ternas, carinhosas e fofinhas com o mano, faz com que o meu amor por elas esteja infinitamente mais dilatado. Nada paga os momentos em que estamos todos, os cinco, a sorrir com o coração.

Dilatou a minha vontade de estar apenas a três, eu e as meninas, a brincar, a passear, a dormir, a conversar.

A tralha no carro também dilatou.

O número de vacinas extra-plano nacional de vacinação dilatou, bem como o monte de impropérios que esta mãe exclama, pois é obrigada a fazer escolhas difíceis e quase impossíveis, porque as vacinas têm o preço que têm e a conta bancária tem o valor que tem.

Dilatou o número de cabelos brancos e de vezes que tenho que ir à cabeleireira.

A sensação de caos diário dilatou.

A sensação de felicidade diária, de coração cheio, de um futuro doce e quente, de momentos impagáveis para sempre, dilatou mais do que tudo.

Dilatações de uma mãe de três que tem a sorte de poder partilhar o seu amor dilatado com gente boa.