Passaram duas semanas desde que as cerejinhas mudaram de escola. E está na hora de botar faladura acerca desse assunto.

Os filhos, às vezes, surpreendem-nos, achamos que os conhecemos e dizemos que temos a certeza como é que vão reagir, por exemplo, a uma mudança de escola aos 3 anos. No meu caso, as cerejinhas são tão diferentes que tinha a certeza que também iam ser diferentes na adaptação, tinha muitas certezas…e senti-me uma tótó por ter catalogado as minhas filhotas. Se no caso da L, bateu tudo certo, no caso da J foi uma surpresa total.

A nova escola é maior, e tem muitos mais meninos. Também tem gente adulta nova e pais novos e espaços novos.

A cerejinha L ficou quase todos os dias a chorar, agarrada às minhas pernas ou ao colo; no final da semana passada isso já não aconteceu e quando a ia buscar, dizia sempre “mamã, hoje não chorei”. Ela é uma miúda que se agarra muito às pessoas, que precisa muito de referências, que não gosta nada de confusões e ambientes barulhentos. Ao final de 4 dias, dizia-me “mamã, sabes porque é que eu fico a chorar?”, quando na hora de vestir o pijama, num momento a sós com ela, a tentava ajudar a encarar melhor a ida para a escola, “porque quando chegamos os meninos estão todos a gritar e eu não gosto”. Esta rapariga é tão mãe!!! A escola tem um quintal enorme, com montes de espaço, com baloiços, casinha, escorregas, autocarro, relva, sei lá. E claro que enquanto estiver bom tempo, é de aproveitar. E claro também, que quando chegamos, estão todos a divertir-se na rua, a brincar, a falar, a gritar e a cantar. A L que estava habituada a chegar a um sítio com poucos meninos, com menos barulho, onde conhecia toda a gente; e também estava habituada a ser um bocado a rainha do espaço e a mandar e a orientar as coisas (ela tem tanto de controladora como de ajudante, é tão linda). Agora, ainda não ganhou esse espaço, ainda não ganhou as referências. Sabe que pode contar com a Joana, mas precisa de mais. Quando a vou buscar, é a minha Laurinha de sempre, feliz, sorridente, patusca, irrequieta, linda! Muita gente me diz que ainda bem que ela tem a irmã nesta adaptação; pois tem, e isso é bom, mas como vão ver agora, a J foi a surpresa total.

A cerejinha J em nenhum destes quinze dias ficou a chorar. Ela também é agarrada às coisas e pessoas, mas menos que a irmã. No entanto, é um pouco mais niquenta e também menos independente. Estava habituada a que toda a gente soubesse o que ela queria só de abrir a boca e já toda a gente sabia que ela tinha momentos difíceis, de birras um bocado para o chatitas. É uma miúda que sendo dada, vai ao colo de toda a gente, não é muito faladora nem expansiva. E eu estava à espera que ela demorasse muito tempo a adaptar-se às coisas e às pessoas, que ficasse incomodada com as coisas, os hábitos. E não foi nada assim, mostrou logo muita curiosidade, adorou o quintal, aprendeu logo os hábitos novos e em casa, conta tudo e fala com entusiasmo da escola. Uma pinta! E para aí ao 3º dia quando lhe voltei a pedir que ajudasse a mana na escola para ela não chorar, a J fez uma cara do género “Outra vez? Que seca! Deixa-me ir à minha vida”, ahahahha, demais. Como diz uma amiga “a J anda lá toda gaiteira” e é mesmo isso! Tão fofinha!

E o que é que uma mãe faz nesta fase? Podia dizer-vos que faço isto e aquilo, tudo estruturadinho e pensado, assim como fazem muitas mães famosas, cheias de dicas e palpites e mais não sei quê. Se querem mesmo saber, eu também me estive a adaptar à nova escola, às pessoas, aos espaços, às rotinas. Eu também chorei um bocadinho num dos dias, eu também revirei os olhos com mais um choro da L noutro dos dias. Eu também quis saber tudo e mais alguma coisa numa só conversa e açambarquei a educadora para falar das minhas filhas. Eu também comecei o interrogatório às cerejinhas sobre o dia na escola. E foi neste momento que percebi que estava a ser uma stressada. Eu não sou perfeita, mas tenho uma coisa boa: sei parar e sei ouvir as minhas filhas.

Sei que a L, com a sua memória brutal, me vai saber dizer ao fim de pouco tempo o nome e apelido de todos os meninos. Sei que canta novas músicas em casa. Sei que observa todos os cantos da escola e sei que já adora a Joana.

Sei que a J, sem eu lhe perguntar, me vai contar tudo o que fizeram e ainda, tudo o que não fizeram (no fim do 2º dia disse que ao lanche tinha sito outra vez leite, que não há iogurte, nem papa, “não pode ser, mamã”), porque ela funciona muito por passos e rotinas, é assim metódica.

Sei sobretudo que elas andam felizes e que estão contentes com tanta novidade. Brincam muito, muito mesmo. Houve dois dias em que, chegadas a casa, cada uma delas procurou o seu espaço e adormeceram. Vinham cansadas. Brincar cansa, eheheh.

 

ju

laura

 

 

 

 

 

 

 

 

E sei que fiz uma boa escolha e que já me passou o aperto que descrevi aqui.

E convosco, como está a ser o início do ano escolar?