Esta semana tomei um decisão difícil e por isso tenho assim uma angústia cá dentro. Eu sou Balança, tenho dois pratos, peso os prós e os contras e ando nisto carradas de tempo, demoro a decidir-me, falo com várias pessoas, penso e penso e penso. Depois, quando tomo a decisão, não há volta atrás, é para o resto da vida.

Hoje falo sobre a escolha da creche, do jardim de infância. Hoje falo sobre gratidão. Hoje falo sobre dúvidas e receios. Hoje presto homenagem às pessoas que em 3 anos ajudaram a tornar as cerejinhas duas pessoazinhas felizes.

Casa Cor-de-Rosa, é isso mesmo, uma casa. Um lar, uma família. A casa cor-de-rosa tem a creche em cima onde andam as cerejinhas e a pré-escola em baixo para onde iriam as cerejinhas. Teriam que mudar de pessoas e de espaço e por essa razão, e porque uma mãe mete na cabeça que preferia um local onde houvesse uma educadora por sala (manias minhas!), não continuarão na instituição que as acolheu. Ao dizer isto, estou aqui cheia de sentimenos bichosos, cheia de angústias e de pedidos de desculpa. Não julguem que é fácil. Se tivesse feito um gráfico com duas linhas, a diferença seria uma unha negra, é uma coisa mínima, mas foi assim que decidi. E conhecendo os meninos que continuam por lá, que são uns doces e espertos e desenvolvidos, tenho a certeza que as cerejinhas continuariam a ser tudo isso. E depois uma gaja foi à Reggio Emilia há uns anos e ficou parva com aquela cidade e disse que se mudasse de vida era para ali que ia viver, e depois vem a saber que há um jardim infantil que tem esta abordagem implementada e dá-lhe outra vez a panca e isso pesou na decisão. Acreditem, eu não sou freak da educação, não quero que as cerejinhas aprendam a ler e a escrever antes do tempo, só se quiserem e tiverem curiosidade, não exijo avaliações e relatórios da educadora, não tenho pachorra para essas formalidades. A mim basta-me conversar com as pessoas, ouvi-las, senti-las. As miúdas têm tempo de entrar no sistema (medo!!!!).

As cerejinhas é que vão dizer se os papás decidiram bem; eu acho que sim, mas estou apreensiva, confesso-vos…(se aos 3 anos de idade é isto, quero ver quando forem para a escola primária, quando tiverem provas, quando escolherem o que querem ser, quando uma data de porras…estou feita, eu não sabia que ia ser assim).

Eu não quero saber se a creche é nova, quantos anos de construção tem, se a pintura é recente e não me importo nadinha que tenha escadas. Aliás até me deu imenso jeito para se habituarem às escadas, pois vivemos num terceiro andar sem elevador. Só não gosto de humidade, mas isso é por ser uma alérgica.

Eu não quero saber se fazem avaliações a putos de 1 e 2 anos, se espetam com uma grelha de actividades e objectivos para a semana, eu não quero planos pedagógicos hiper estruturados para bébés. Quero mimo e atenção e alegria. E espaço para a diferença e para a criatividade e para o espírito de equipa.

Eu quero pessoas, afáveis, meigas, brincalhonas, atentas, simpáticas, preocupadas, sorridentes, que cantem, brinquem, contem muitas histórias, que dão colinho, que ajudam a crescer e a ser educadas, eu quero pessoas em quem confio. E essas pessoas estiveram 3 anos com as cerejinhas. Por isso, cá vai, uma a uma.

Obrigada Raquel (grande). Pela alegria, sorrisos, cantorias, jogos, mimos, colinho, atenção, amizade. Por ter sido tão nossa amiga. É bom ter ouvido algumas vezes as cerejinhas a chamarem-me “Raquel!”. Tenho a certeza que quando tiver filhos serão tão felizes quanto as minhas cerejinhas no seu colo. Há um pouco de Raquel em cada uma das cerejinhas e isso sabe muito bem.

Obrigada Patrícia pelo carinho e meiguice, por contar tantas e tão boas histórias, por ajudar as cerejinhas a serem amigas dos outros e atentas à vida e curiosas. Obrigada pela pachorra para uma mãe de gémeas.

Obrigada dona Isabel pela calma e serenidade que transmite, por ser uma “avó” para as minhas filhotas.

Obrigada Bé pelas gargalhadas e carinho, pelas cantilenas que ensinou, pelas histórias, pelo colinho e miminho.

Obrigada Raquel (dos bébés) pela boa disposição constante e pelos sorrisos meigos.

Obrigada dona Ilda por nos ter ajudado várias vezes, por ser tão simples e simpática.

Obrigada dona Cristina por tantas vezes ter carregado as cerejinhas nos ovos e ao colo quando ainda eram pequeninas.

Obrigada Joana por tentar por tudo cativar as cerejinhas em tão pouco tempo, e pela simpatia e atenção.

Obrigada senhor Jesus por ser tão atencioso e querido para as cerejinhas, por cuidar tão bem das flores e da horta, e por ter sempre um bom dia caloroso para toda a gente.

Obrigada João pela boa-disposição constante, pelo cuidado a conduzir o autocarro, pela simpatia.

Obrigada Anabela pelas boas conversas.

Obrigada Eugénia pelo sorriso rasgado, todos os dias.

Obrigada Lupe por seres tão boa contadora de histórias e sempre pronta a ajudar.

Obrigada a todas as meninas da cozinha (desculpem não sei o vosso nome) por estarem sempre a elogiar as cerejinhas e por alimentarem tão bem os miúdos.

Obrigado aos professores de Ginástica e Música, foram fantásticos a desenvolverem estas capacidades tão importantes.

Obrigado a todos os pais que sempre nos trataram tão bem, a nós pais de gémeas e meio esquisitos, ehehehe.

E acima de tudo…

Obrigada tia Guidinha por seres a pessoa fantástica e única que és. Não há ninguém assim, que mereça tanto o nosso amor como tu, que seja a “tia” que as cerejinhas mais gostam, que nos tenha ajudado tanto e muitas vezes com prejuízo pessoal, que seja tão mimoca para as sobrinhas, que se tenha tornado tia de todos os outros meninos. Obrigada por seres tão boa profissional, por seres tão simpática com todos os pais, todos os colegas, todos os idosos do centro. Obrigada por tudo, por seres assim, linda!

(já estou de lágrima ao canto do olho, porra!)

É só para Setembro, mas eu já estou aqui cheia de apertos. As cerejinhas vão querer continuar a visitar-vos de quando em vez e a fazer parte das vossas vidas.

Começará a era das tartarugas e sei que vai correr bem, muito bem. Mas para já ainda somos completamente cor-de-rosa.

(as hormonas dão cabo de mim; isto tinha que coincidir com a minha gravidez para me pôr ainda mais sentimentalona, pá)

casa