Duas gravidezes e três crianças depois, sei que o tema que menos gosto de falar na maternidade, é a amamentação.

Não gosto nada de fundamentalismos. Gosto sim da compreensão e da sensibilidade, gosto sim da vontade de ajudar, gosto sim de saber que ninguém é mais ou menos mãe porque amamenta ou não amamenta.

As gémeas nasceram de 35 semanas, pequenas, uma de parto normal e a outra de cesariana de urgência, com anestesia geral. Acordei três horas depois e quando abri os olhos, estava a enfermeira e o pai cerejo a darem biberão às minhas filhas que ainda não tinha visto. Descansei. Estavam a ser alimentadas. Eu estava trolóló de todo, cheinha de dores na barriga e por baixo. Ainda assim, quando uma enfermeira me perguntou se queria experimentar pô-las na mama, disse que sim. Elas eram pequeninas, o meu mamilo era maior que a boca delas, adormeciam de tanto se esforçarem e das minhas mamas, saía muito pouco. Na vez seguinte, mais uma tentativa, elas choravam com fome, suavam de tanto se esforçarem, eu também de as ver assim e perdiam peso todos os dias. Mas eu continuava a tentar já quase a dar em doida, porque não entendia, não sabia o que fazer. Elas não aumentavam de peso, eu queria ir para casa com as minhas bébés, elas não pegavam na mama, eu não conseguia tirar mais que 10 ml na bomba. O pediatra mandava-me continuar a tentar, que tinha estimular, que ir à bomba. As enfermeiras continuavam a tentar ajudar as miúdas a pegar na mama. E eu fui-me abaixo, chorei muito. E só com a ajuda de uma enfermeira que me percebeu, de uma amiga e do pai cerejo, só quando mandei toda a gente para aquela parte e decidi que só ia tentar que elas pegassem na mama uma ou duas vezes por dia, é que fiquei bem; queria sair dali (foram 12 dias para recuperarem o peso de nascença), elas precisavam de engordar e eu precisava de estar sã da minha cabeça para tomar conta delas em casa. O médico continuava com o mesmo discurso. Que tinha que me esforçar para lhes passar os factores de imunidade e inteligência. A sério, querem lá ver que agora as minhas filhas vão ser doentes e burras??? Juro, não entendo, onde esta gente aprendeu a lidar com recém-mães.

Já em casa, lá fui dando a mama, mas nem sei bem porquê…ou melhor, deu algum jeito para adormecer a cerejinha L à noite, confesso, foi praticamente só por isso. Aos três meses parei com aquilo. Também diziam que era bom para não terem cólicas. Pois, foram as duas alimentadas a leite adaptado, uma teve cólicas até aos 3 meses e a outra não. Quanto ao contacto pele com pele, ora bem, pode ter-se na mesma, sem se estar a amamentar. O vínculo cria-se em todos os momentos, em todos os segundos que o bebé está acordado ou mesmo quando dorme. Acredito que existam benefícios com a amamentação. Não acredito que sejam exclusivos de bébés amamentados. Acredito que cada pai e cada mãe sabe o que é melhor para os seus filhos. E se decidir não amamentar porque não gosta, ou está a ser penoso (no início, amamentar dói, é preciso muita dose de vontade para ultrapassar esses primeiros momentos), ou simplesmente não lhe apetece ter essa responsabilidade e prefere delegar essa função no pai…não interessam as razões, o que interessa é as crianças e as mães estarem bem de saúde, física e mental.

Com o meu mais recente bebé, amamentei. Mas não gostei nada.. Na maternidade, ele começou a pedir mais, e eu ali, sempre de mama ao léu. Percebi que a livre demanda não era para mim, porque tinha duas filhas para criar e não queria estar sempre a dar de mamar. O leite só subiu para aí ao sétimo dia, depois de insistir em casa e de gradualmente substituir o leite adaptado por leite materno (o pai cerejo é um óptimo conselheiro de amamentação). Ele demorava uma hora, UMA HORA, a mamar, adormecia imensas vezes. E para mim aquilo era uma prisão, eu ali parada, com imensas coisas para fazer…Depois foi custando menos, ele foi sendo cada vez mais rápido. Confesso, o motivo pelo qual amamentei foi exclusivamente financeiro, não o posso negar…é um dos benefícios 🙂 Aos 12 meses, ele já tinha dentes, amamentava à noite para o adormecer, mas ele não parava quieto e um dia mordeu-me. Olhei para ele e disse “puto, já chega, acabou-se a mama, bebes leite num biberão antes de ir dormir se quiseres, se não quiseres vais para a cama na mesma e lá aprenderás a adormecer com a chupeta normal sem ser na mama”. E foi um alívio, estava tão fartinha, tão fartinha!

Em geral, não faço perguntas sobre amamentação, não preciso mesmo de saber de que se alimenta o bébé e fico parva com aquele hábito de algumas pessoas de “mandarem” nas mamas das mulheres, dizendo “ele está cheio fome, quer maminha”…

Não se deve desencorajar as mulheres de amamentar. E também não se deve crucificar quem decide não amamentar ou culpabilizar quem não conseguiu; a culpa faz mal às mães e aos filhos. Muito mal!

No fim de tudo somos todas mães, todas loucas pelos filhos, com ou sem leite materno.