Já passei pelo tempo de “usar e deitar fora”. Está desbotado? Dá-se e compra-se novo. Tem buracos? Fica para usar em casa. Já não serve? Vou dar e comprar outra igual.

Não, é mentira, raramente sou assim. Sempre fui dada à reutilização, reciclagem, renovação e outros “res” do género. E não estou a falar da reciclagem clássica dos ecopontos. Estou a falar, por exemplo, de roupa. Houve um tempo na minha vida que usava calças para trabalhar, daquelas de fato e na altura, usavam-se largas. Depois deixei de precisar de usar roupa para trabalhar e tinha ali calças paradas e, claro, sem piadinha nehuma. Vai daí, a minha amiga M apresentou-me a sua costureira de sempre e transformei três pares de calças em saias! E ela fez-me uns efeitos para não ficarem apenas umas calças-transformadas-em-saias. Também já mudei os botões de sítio num casaco para o poder usar numa altura em que estava mais gordinha. Uma túnica comprida que se rasgou em baixo, foi cortada e transformada numa mais curta. Guardo peças de roupa com tecidos giros que se tenham rasgado irremediavelmente para usar um dia em qualquer coisa. Mas agora, tenho muitas camisas brancas (do tal tempo da roupa para trabalhar) e como me chega uma ou duas, não sei o que fazer às restantes. Não tenho ideia nenhuma de como reciclar camisas em algo minimante giro e actual. Ideias?

Na roupa das cerejinhas, os vestidos passam a túnicas e as túnicas a camisolas, as leggings a corsários e por aí fora. E aquelas camisolas de que gostam muito que estão impossíveis de reutilizar, porque têm manchas de fruta ou buracos ou assim, guardo-as para um dia fazer outra roupa, ou almofadas, ou uma manta de retalhos.

E depois reciclo materiais. Ou melhor, guardo toda a espécie de materiais para fazer actividades com as cerejinhas ou corresponder aos pedidos do JI (são poucos, muito poucos) para fazer um trabalho de casa sobre um tema.

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caixas de ovos, esferovite das encomendas, folhas, papel de embrulho variado, restos de papel, embalagens de café, rolos de papel higénico, tampas de iogurtes, cd’s velhos, palhas mordidas, espuma, pauzinhos, paus das espetadas, folhas, sementes várias, caixa dos ovos de codorniz, fitas de embrulho, restos de tecidos e fitas, corda, embalagens…também reutilizo latas de leite e de café para meter os lápis e as canetas

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…e arrumado nos respectivos “cestos dos materiais” e caixas.

 

Podem pensar: ah e tal, a casa dela deve ser um caos, cheia de tralha. É um caos, sim! Mas não pela tralha que eu aprendi a destralhar com os anos e ainda assim não estou satisfeita, que ainda quero despachar muita coisa (estou a preparar um artigo sobre destralhar). É um caos, porque me estou a cagar borrifar para o pó em cima do armário, os pêlos da ginja por todo o lado, os brinquedos espalhados, os mil um desenhos pendurados (pronto, vá, de vez em quando tenho os meus acessos de arrumação que funcionam quase como terapia – vejam aqui – mas em geral não quero saber…aprendi com o tempo a não ligar, foi difícil, mas vale a pena).

Reciclar faz parte do meu vocabulário e espero que faça parte do delas e dele. Reaproveitar também, tudo pode servir para criar. Já lá vai o tempo em que comprávamos tudo, não havia nada feito com as nossas mãos, não criávamos nada. Por exemplo, os embrulhos das prendas no cerejal, são personalizados. Podem ser desenhos das cerejinhas em papel deste rolo do ikea, podem ser reaproveitamentos dos embrulhos dos ovos da páscoa, podem ser em papel pardo com fotografias coladas ou desenhos com glitter, podem ser feitos com a dica da semana à falta de outra coisa, podem ser com restos dos tecidos de coimbra vendidos aos molhos. E esta personalização dos embrulhos já faz parte das cerejinhas…às vezes, estão a brincar aos aniversários das bonecas e fazem elas os seus próprios embrulhos.

Também tento reaproveitar móveis e dar-lhes outra utilidade.

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as camas de grades foram transformadas em cozinha de brincar e em sofá

uma das camas voltou ao activo para ser usada pelo moranguito...e também se vê o sofá que antes era amarelo-côr-da-fome e eu transformei em qualquer-coisa-menos-feia

uma das camas voltou ao activo para ser usada pelo moranguito…e também se vê o sofá que antes era amarelo-côr-da-fome e eu transformei em qualquer-coisa-menos-feia

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o móvel muda-fraldas que já era delas, agora é estante para os livros e bonecada e outras coisas

 

Há quem lhe chame pelintrice. Eu também…mas sabe-me muito bem ser pelintra, ehhehe.