Hoje as palavras são sobre infertilidade. E porque escolho o dia 1 de Junho, dia da criança? Porque é o dia que muitos casais queriam ver preenchido com os seus filhos nos afazeres desmedidos das festas, porque a Associação Portuguesa de Fertilidade vai realizar a Caminhada pela Fertilidade, porque a APF é uma casa, um cantinho, um conforto para imensos homens e mulheres, porque tem um fórum absolutamente essencial para quem está envolvida em diagnósticos, tratamentos e emoções. Porque foi lá que conheci tantas amigas de coração, tantas com quem partilhei histórias, lágrimas e sorrisos, que hoje têm filhos ou não, que fazem de mim uma pessoa muito mais completa por as ter conhecido, mesmo que virtualmente…adoro-vos. Apresento-vos a Susana, é uma mulher linda e um exemplo de alguém que aguenta 20 anos de luta e no fim consegue realizar um sonho. Não a conheço pessoalmente, mas adoro-a e admiro-a. Hoje as palavras são sobre esperança.

          Sempre soubeste que querias ser mãe?

Sim, desde que me lembro de brincar às mães e aos filhos com os meus bonecos. Mais tarde, talvez já na minha adolescência veio o desejo de querer ser mãe jovem, logo que construísse família. Talvez o facto de os meus pais me terem tido já com 37 e 40 anos, respetivamente, fizesse com que desejasse ser mãe mais nova.

          Depois de terem tido um diagnóstico de infertilidade, como passaram a lidar com a pressão social para terem filhos?

Sempre lidei bem, pois assumimos desde logo o nosso problema perante as pessoas que conhecíamos. Se assumirmos a doença, as pessoas acabam por deixar de pressionar com perguntas tipo “então, para quando?”; “estás a guardar-te para velha? Ou para tia?”.

         O teu lema é “nunca se desiste de um filho”. Nunca perdeste mesmo a esperança de vires a ser mãe?

Não. Eu sentia que um dia ia conseguir alcançar o meu sonho, só tinha que continuar a lutar por ele, fosse através dos tratamentos, fosse através da adoção. No fundo, foi sempre essa esperança que me deu forças e fez com que nunca desistisse.

          Onde procuraste apoio durante todos estes anos de tratamentos?

No meu marido (apesar de estarmos ambos a viver o mesmo), também na minha pouca família, e mais tarde na Internet, (nos fóruns e blogs referentes ao tema da infertilidade)

         Sentiste que as pessoas se afastavam de ti?

Não sei exatamente se foram elas ou nós que nos afastamos, mas sem dúvida que o afastamento foi-se dando. À medida que os nossos amigos e colegas iam engravidando os temas das conversas giravam em torno de bebés, mudas de fraldas, mamadas, cólicas, birras, etc…e isso incomodava-me, magoava-me, e eu precisava proteger-me disso.

          Que conselhos podes dar a quem luta contra a infertilidade?

Que nunca percam a força. Que nunca percam a esperança. Que procurem todas as ajudas disponíveis e ao alcance de cada casal. Que não desistam enquanto for possível humanamente, e financeiramente E que acreditem, para que possam chegar ao fim desta luta com o sonho realizado, ou se não, com o dever de missão cumprida.

          O que é para ti ser mãe?

É ter o coração fora de mim. É amar incondicionalmente. É criar, educar, é estar sempre ao lado do nosso filho e fazer com que seja muito feliz.

          O que mudou na tua vida?

Muita coisa. Aprendi a ter outras prioridades e a dar mais valor a certas coisas. Conheci um amor incondicional. Senti-me realizada porque não conseguia imaginar-me sem um filho/a. E aprendi a ter outro tipo de responsabilidade.

          Gostas de cerejas?

Adoro!!!

 

Obrigada Susana pela tua gentileza e colaboração. Beijinhos da cor das cerejas <3

 

Podem conhecer mais sobre a Susana aqui.

Podem ajudar a APF  e se conhecerem alguém que esteja a passar pela infertilidade, aconselhem o fórum ou blog da Susana: Sonho ter um Filho.

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