Gostei muito deste artigo. Comentei que não, que não são só as manhãs dela que são caóticas. Eu também me levanto com as galinhas e acabo sempre por sair de casa esbaforida, com um cenário de guerra para trás e já a precisar de comer outra vez e, mais essencial ainda, de dormir!

Mas no meu caso, e porque vivemos um bocado longe da cidade, ainda tenho a viagem de carro para enfrentar. E quando se tem uma filha que enjoa, digo-vos que é motivo para ficarem com suores frios assim que ligam o carro e começam a viagem.

Ontem foi uma dessas manhãs. Caótica. Com o senhor Joaquim a fazer um cocó gigante. Já estava de casaco vestido e eu de mala a tiracolo, elas já à porta para sair, quando pego nele e veio aquele cheiro, aquele cheiro de que é melhor preparar roupa para mudar o garoto. E assim foi, era quase até ao pescoço. Portanto, toca a tirar a mala e o casaco, a despir o garoto todo, a gastar carradas de toalhetes porque não há tempo para ir ao bidé lavar-lhe o rabo, vesti-lo todo outra vez, berrar não sei quantas vezes para pararem de implicar uma com a outra e finalmente sair de casa. Nota mental para o jantar: não voltar a dar outra vez sopa de grão com espinafres ao miúdo. Bem, ao menos limpou bem a tripa.

Entretanto, começo a ouvir a J a dizer que lhe doía a cabeça…uhm, é melhor reabastecer o stock de fraldas de pano e mantas no carro, não vá esta ser uma DAQUELAS viagens. E foi o melhor que fiz.

A meio da viagem, ela volta a dizer que lhe dói a cabeça. Começo a conversar com ela, a cantar (eu sei, talvez tenha tido o efeito contrário), abri os vidros e lá se aguentou. Em vão. De repente, só diz “mamã, acho que vou vomitar” e aí vem jacto. O exorcista comparado com isto é para meninos, só vos digo! E lá fui eu tentando proteger o cabelo dela e a cadeira, a colocar camadas e camadas de fraldas de pano e mantas para apanhar o vomitado, não faço ideia como é que ela tinha tanto para deitar fora, chiça, nunca mais parava.

A juntar a isto, a cerejinha L ao lado, aos berros, completamente histérica “buáááá, cheira aqui muito mal, tirem-me daqui, cheira maaaaaaaaal”. Conseguimos entretanto parar o carro e o pai cerejo foi tirar a L do carro para ir apanhar ar. E eu continuei a envolver o vomitado em fraldas e coisa e tal. Já perceberam, não já?

Quando finalmente parou, tirei-a e fui despi-la no banco da frente. Aprendi com o tempo a trazer sempre roupa suplente no carro, seja com as vezes em que se mijaram todas porque brincar é mais importante que parar para fazer xixi, seja pelas vezes em que a cerejinha J vomitou em viagem.

Estão a ver o tempo merdoso que tem estado? Pois, a miúda ali despida, a tremer de frio, eu a levar com chuva em cima, o pai cerejo a limpar a cadeira com toalhetes, a L na rua a cantar e o Jaquim na maior, no ovo, quietinho, atento ao que se estava a passar com aquela cara de “para que hei-de eu querer ir ao cinema, se na minha família há destes filmes?”.

Nisto passa um conhecido que perguntou “está tudo bem?”. É evidente que não, pá!!! Mas obrigada por perguntar (aquela vontadinha de ajudar da treta, humpfff). Bom, como a cadeira da J ficou molhada à custa da esfrega com toalhetes, a L teve que ir uns 500m atrás no banco dos sete lugares…sem cadeira. Psssst, não digam nada por favor, que eu sou daquelas chatas que passa a vida a abanar a cabeça e a dizer tssssst! quando vê alguém andar com crianças no carro à solta, sem estarem apertadas numa cadeirinha…ninguém viu…

Chegou à escola, já estava melhor, cheia de fome. Voltou a vomitar depois da sesta. Entretato, ficou bem. Talvez tenha sido uma virose. Mas como ela enjoa facilmente, nunca sei bem a razão. Nem vos digo a quantidade de vezes que isto já aconteceu. Viagens com curvas é certinho: assim de repente, lembro-me da vez em que fomos ao Fundão pela Serra e vomitou quando parámos no hotel da montanha para esticar as pernas; a outra vez em que fomos à feira da castanha no Quilho e mais uma quando fomos dar um beijinho à nossa amiga que se casou na Aveleira…curvas e mais curvas. E quando era bébé, vomitava o leite em jacto. Será que me devo preocupar?

Hoje veio a mascar meia pastilha elástica. Sei lá, achei que podia ajudar. Correu bem. Tentamos que ela não vá vestida com muita roupa, que o carro não esteja quente. Se calhar tenho que rever o que ela come ao pequeno-almoço.

Alguém tem dicas para os enjôos das crianças?

Agradecida!

(desculpem lá o tom nojento do artigo, mas é a vida, meu amigo!)