Cerejices Dicas para mães de gémeos Moranguices

Irmãos

25 Junho, 2015

Não sei o que é ser gémea. Não sei o que é ter um irmão desde o primeiro segundo da nossa vida, lá dentro, ainda na barriga da mãe. Não sei o que é partilhar desde tão cedo o lar com um irmão. Só comecei a ter essa sensação aos 6 anos de idade. E sei, tenho a certeza, que ter irmãos faz bem.

É ter sempre alguém com quem brincar. E também com quem implicar.
As cerejinhas adoram-se. Se lhes perguntarmos “quem é a tua melhor amiga na escola?”, respondem sempre “é a mana”. Quando recebem algo, pedem sempre também para a mana. Quando acordam, perguntam sempre pela mana. E agora também perguntam pelo mano.
Às vezes, as cerejinhas não se suportam. Sai daqui, larga os meus brinquedos, não quero que estejas a olhar para mim. Muitas vezes fazem queixinhas uma da outra: “ó mãe, a mana tirou-me a boneca”, “a mana está a chatear-me”, “a mana bateu-me”, “está a dizer que eu sou má”. Julgo até que um dia vou ouvi-las dizer “ó mãe, a mana está a respirar para cima de mim” de tão fartas que ficam uma da outra…mas não dura mais que um minuto, pois logo a seguir ficam com saudades.
Ter irmãos é ter sempre alguém em quem pensar e com quem se preocupar.

A cerejinha J adora acordar o mano, o moranguito. Senta-se ao lado dele, chama-o, sorri, conversa, pergunta se dormiu bem, mostra-lhe os bonecos dela e derrete-se com os sorrisos dele. Deixo-os muitas vezes, os dois, sozinhos, a brincar. Um dia, ele guinchou e chorou. E ela chorava compulsivamente e só dizia “desculpa, desculpa, desculpa” com o ar mais aflito que algum dia lhe vi. O braço tinha escorregado e caiu com a cabeça em cima da testa do Joaquim. Abracei-a antes de ver como estava o mano. Ela estava mesmo muito aflita. Ele tinha só uma mancha vermelha e um galaró. Fiquei de coração cheio.

A cerejinha L é, em geral, muito mais física que a mana. Quando chegamos a casa, ao fim do dia, depois de muitas horas de brincadeira no jardim-infantil, chegam cansadas. E às vezes não lhes apetece subir as escadas todas (como as percebo!) e há birra, e pedem colo…quase sempre é a cerejinha J que faz isto. Um destes dias, a L saiu do carro e a J não queria sair, pedia colo, eu dizia que não podia dar colo, que dava depois em casa, insisti e ela começou a fingir que estava a dormir. E a L já à porta de casa a ver a cena. Nisto, fiz aquela coisa tão típica de virar costas e dizer “tchau, vou-me embora”. A cerejinha L desata num pranto, aos berros, a pedir “nãoooo, não deixes a mana no carro”. O desespero dela era tanto, cheia de medo que eu abandonasse a irmã. Abracei-a e tentei explicar-lhe que nunca iria embora sem a mana, que era a brincar, que não era a sério. E pensei que nunca mais farei tal coisa…difícil de entender por uma criança de 4 anos, nunca mais. Pondo-me no lugar dela, talvez seja a coisa mais assustadora que poderia ver e ouvir, a minha própria mãe a abandonar a minha irmã no carro….nunca mais. Voltei para trás, peguei na outra ao colo até à entrada do prédio e ela lá aceitou subir o resto sozinha. Fiquei de coração partido.

Diz-se por aí que a melhor prenda que se pode dar a um filho é um irmão. Tenho a certeza que sim.

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  • Responder
    Anouska
    13 Março, 2016 at 23:57

    A melhor coisa da minha vida é a minha irmã gémea. Ela casou-se em novembro, já nao mora comigo há quase dois anos, mas sinto falta dela (da presença fisica dela, mesmo!) todos os dias. Não podemos passar muito tempo sem nos vermos. Costumo dizer que parece que me falta um braço ou assim, acho que quem não é gémeo não percebe que o “Mano gémeo” é um mano diferente, é quase que uma parte de nós.

    As coisas que lhes dizes, fazes lembrar muito a minha mãe (já lhe disse e tudo) A berraria (ela ralhava muuuuito! Agora percebo que não era connosco, era frustração acumulada), as negociações, as frases feitas. É a melhor mãe do mundo.

    • Responder
      mamã cereja
      15 Março, 2016 at 12:11

      Ohhhh…<3

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