Sobre nada

Empatia, precisa-se!

30 Janeiro, 2018

Bem sei que a nossa vidinha é sobremaneira absorvente e que, muitas vezes, os nossos problemas e rotinas, estão tão presentes na nossa cabeça que nem damos conta do que se passa à nossa volta.

Mas nada, nada, justifica que não consigamos reparar numa mãe num hipermercado a fazer compras com um filho pequeno atrás, num idoso com ar de quem não sabe onde fica a repartição x, uma pessoa carregada de sacos e uma porta teimosa e pesada que não se consegue abrir sem mãos, uma pessoa a querer pagar o estacionamento do hospital pediátrico e sem trocos em moedas, sei lá, tantas situações. Faz-me impressão quando as pessoas não reparam nos outros ou, pior ainda, quando fazem de conta que não reparam nos outros. E, cúmulo dos cúmulos, para limparem a consciência, resolvem reparar e oferecer ajuda quando já não é preciso, quando a pessoa que estava mesmo ali ao lado a precisar que reparassem nela, já se conseguiu desenrascar sozinha.

No outro dia, as miúdas estavam na ginástica e eu resolvi ir com o mai novo ao hipermercadozito ali perto comprar umas coisitas que faziam falta em casa: fiambre, leite, algo para o jantar, bananas. Na zona da charcutaria, tirei a senha, estava uma senhora a ser atendida, um casal esperava a sua vez e a seguir era eu. O Joaquim fazia muitas perguntas e as pessoas olhavam para ele e sorriam, porque é mesmo fofinho. Ele começou aos saltinhos e eu perguntei “Joaquim, queres ir fazer xixi?”. Ele disse que não, pensei “ah, também sou já a seguir e depois vamos logo embora, não há problema”. Nisto, chega a vez da senhora do casal à minha frente, ela pede fiambre e eu digo à funcionária “olhe, depois não guarde esse fiambre, porque também vou querer desse”. A senhora do casal ouviu bem. Quando a rapariga acabou de cortar o dito fiambre, perguntou “mais alguma coisa?” e a senhora “sim, olhe é mais 100 gr de…”. A rapariga olhou para mim, pôs o fiambre de lado e continuou a atender a senhora do casal. O Joaquim voltou a saltitar, eu voltei a perguntar se tinha vontade fazer xixi, toda a gente ouviu e continuámos a aguardar.

Quatro pedidos depois, a senhora do casal resolve dizer “ah, se calhar está com pressa por causa do menino?”. Na, o puto só está aqui há quatro pedidos atrás a lambuzar o vidro todo enquanto espera, aos saltinhos parecendo que está com vontade de fazer xixi, a portar-se muito bem para uma criança de 2 anos que espera pelos seus pedidos TODOS e agora vem a senhora, depois de ter pedido 150 gr de fiambre daquele que eu também vou querer, umas fatias de queijo, mas não muito que segundo o seu marido ainda lá há em casa, 100 gr de mortadela daquela ali atrás e já agora, um bocadinho de chouriço que o marido gosta, vem agora a senhora limpar a consciência quando já não tem mais nada para pedir, perguntando “se calhar está com pressa por causa do menino?”. Eh pá, se calhar era melhor continuar a fingir que não vê, porque eu tive que lhe responder “não, deixe estar”, quando a minha vontade era “agora? depois disto tudo? agora obrigadinha, mas esperamos mais um bocado”.

Eu sei que é um episódio parvo, mas eu quando vejo gente com crianças pequenas e estou na minha vidinha de adulta solitária, dou-lhes a vez, não custa nada e vou de facto para casa com a consciência limpa.

Custa-me muito esta coisa de as pessoas não repararem umas nas outras, de não se colocarem na pele dos outros, desta falta de empatia que por aí anda.

Felizmente, sinto muito mais vezes a empatia do que a falta dela. Tantas e tantas pessoas desconhecidas me ajudam e isso é tão bom. E eu também sou pessoa de ajudar desconhecidos. Como daquela vez que uma rapariga não tinha moedas para o café, a máquina não aceitava notas e eu paguei-lhe o cafézito, porque sei que uma pessoa sem café pode passar muito mal o dia e é coisa para ter o dia todo a cabeça a latejar.

Não foi nada de especial. Não custa nada, pois não?

  • Responder
    Sandrine
    2 Fevereiro, 2018 at 14:31

    Não custa nada, é bem verdade e pode fazer toda a diferença para a outra pessoa!

    • Responder
      mamã cereja
      2 Fevereiro, 2018 at 14:55

      Pequenos gestos…

  • Responder
    Mel
    31 Janeiro, 2018 at 8:14

    Bom dia mamã cereja!
    Que bom ver que ainda há pessoas como tu!! tento fazer sempre o melhor e ajudar.
    Quando estou nas compras e estou com os dois ou só com o pequenito não é fácil… mas as poucas vezes que alguém me ajuda fico espantada com a sensibilidade da pessoa e agradeço com um grande sorriso. de facto devia ser algo mais normal e natural pois somos todos humanos e precisamos uns dos outros, numas fases mais noutras menos!

    bjs doces

    • Responder
      mamã cereja
      2 Fevereiro, 2018 at 14:55

      É verdade, um pequeno gesto pode fazer a diferença! bjs

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