No dia em que este blog fez dois anos, não escrevi nenhum artigo. O blog nesse dia não teve visitas, não teve comentários, não teve interacção. Tinha planeado escrever, escrever muito. Porque dois anos de um blog não são quinze dias, há muita coisa escrita e dita, muita coisa partilhada e mostrada.

E nesse dia, o blog esteve parado, porque o meu moranguito tinha sido diagnosticado no dia anterior com uma pneumonia. E o tempo que eu tinha pensado usar para escrever o artigo do segundo aniversário do blog, foi usado para estar com o meu filho nas urgências.  E depois, em casa, no tal dia dos dois anos, estive com os meus filhos a brincar e a descansar, estive com o pai cerejo, as cerejinhas, o moranguito e a ginja, em casa, apenas em casa.

No entanto, consegui partilhar no facebook, o seguinte :

“Confiem sempre no vosso instinto de mãe.
Joaquim com pneumonia. Ainda bem que é fim-de-semana.”

E surgiram muitas mensagens de conforto, de boas melhoras, de identificação, de força. O meu Joaquim só tem uma pneumonia, felizmente trata-se com antibiótico. Mas a onda de amizade que por lá surgiu, deixou-me encantada e sensibilizada. Porque não foram apenas as pessoas que me conhecem pessoalmente que lá foram deixar miminhos. Foram outras que nunca me viram ao vivo, que não me conhecem pessoalmente, às quais nunda dei nada ou falei cara a cara. Foram as pessoas que são chamadas de anónimas, mas que para mim, nestes dois anos de blog, deixaram de o ser. São a Márcia, a Sónia, a Luisa, a Sílvia, a Vanessa, a Marta, a Daniela, o José Paulo, o Mário, a Ana, a Mariana, a Patrícia, a Rita, a Eunice, a Miriam, a Sofia, a Cátia, a Francisca, a Mara, a Joana, a Margarida, a Sandrine, a Carla, o Fernando, a Inês…são pessoas, boas, gente genuína e doce, gente que ajuda e dá força, gente que se ri com o que escrevo, que partilha o que sente, que vem por bem sem nos conhecer pessoalmente. E é isto que o blog tem de bom: as pessoas que vieram por bem. As pessoas que conheci sem nunca as ter visto, sem saber a cor dos olhos ou a altura, sem sentir o seu cheiro. As pessoas que nos chamaram “a família anti-oxidante” ou a “família dos frutos vermelhos”, que acompanharam a gravidez, que participaram na escolha dos nomes do moranguito e da ginja. Que elogiam as cerejinhas pela sua beleza e perspicácia, e o moranguito por ser tão fofinho. Que elogiam o pai cerejo pela comidinha e pelas habilidades. E a mim pelo que escrevo.

E a seguir aos filhos e à família, só há outra coisa melhor no mundo: os amigos. E estas pessoas que têm a gentileza de seguir o que escrevo, de comentar, de ler, de pensar comigo, posso dizer que são meus amigos…amigos do cerejal.

Mentiria se dissesse que não estou à espera de interacção dos leitores. Não escrevo para mim. Para isso tinha um diário, mesmo que digital, mas ficava secreto. Escrevo para os outros. Escrevo para ser lida. Embora escreva o que me apetece, o que me sai no momento, o que os meus neurónios pensam, gosto que as pessoas comentem e digam o que lhes apetece também. Escrevo para partilhar, para ajudar, para registar o crescimentos dos meus filhos. Escrevo para fazer rir. Ou pelo menos, tento fazer rir. Nem sempre mostro ou escrevo sobre tudo o que se passa na minha vida. Nem tudo é lindo e fofinho no cerejal, também tenho dias maus e complicados, também tenho preocupações, mas não gosto muito de escrever sobre isso. Prefiro contagiar o mundo com humor e felicidade. E gratidão. É por isso que vos quero dizer, a todos, MUITO OBRIGADA! Espero que por cá continuem mais dois anos…vá…um anito, se não for pedir muito.

Adoro-vos! <3