Parte III – A maternidade e a educação

Quando se pensa em ter filhos ou em aumentar a família, vem sempre ao de cima a questão das despesas, dos gastos com filhos. Há vários: alimentação, saúde e educação. E também passa logo pela cabeça dos pais a pergunta “com quem é que eu vou deixar a minha cria quando recomeçar a trabalhar?”. Há várias possibilidades: em casa com os avós, com uma ama em casa ou na casa dela, ou numa creche. E quando se escolhe a creche, olhamos sempre para o horário, para saber se é compatível com a nossa vida profissional…e também com a nossa carteira. Quem tem a sorte de ter trabalho, pode ter um horário normal e trabalhar perto da creche, pode trabalhar por turnos, pode trabalhar ao fim-de-semana, pode ter jornada contínua, pode começar a trabalhar cedo ou tarde…há tantas formas…e se o mundo laboral estivesse adaptado à família como falei aqui, ainda poderiam haver mais. A questão é que a maior parte das creches e jardins de infância não têm a possibilidade de horários em part-time, ou a funcionarem até mais tarde para os pais que trabalham por turnos (será o ideal para as crianças? Não sei, mas se esse é o horário dos pais…). E também poderiam haver creches em part-time por questões financeiras…embora neste caso, e eu não percebo nada de gestão financeira, se ponha a questão da sobrevivência financeira da instituição. O que eu sei é que em muitos países existem vários tipos de horários: só de manhã ou só à tarde, três dias completos e dois meios-dias…e claro, com preços diferentes.

Outra despesa com a educação dos filhos são os manuais e o material escolar. Fico roída de nervos por saber que os manuais mudam de ano para ano ou lá o que é, que não se conseguem aproveitar manuais dos irmãos, que há livros e livros de fichas e livros de apoio e mais não sei o quê. Isto só tem um nome e desculpem lá qualquer coisinha: interesses e manipulação!!! Claro que as editoras são um negócio e que têm que sobreviver. Mas as famílias também e não me faz sentido nenhum os programas mudarem com tanta frequência…não será uma necessidade imposta por quem faz os livros??? Bom, felizmente, agora há bancos de manuais escolares e anda muita gente a conseguir contornar esta questão. Eu ainda acredito que se possa fazer pressão, que se consiga mudar esta forma de fazer. E depois há o material escolar…e a pressão dos hipermercados para o regresso às aulas cheio de coisas a cheirar a novo, por estrear. E quantos cadernos ficaram por chegar à última página no ano anterior? E quantos são aproveitados para o ano seguinte da mesma disciplina e, assim, fazer o seguimento da matéria do ano passado e não desperdiçar papel…e dinheiro? E já agora, quando vejo a lista de material que algumas escolas pedem, fico às cores, tantas quanta a diversidade de materiais que são precisos…até assusta! Não haverá uma forma mais criativa e menos dispendiosa para as famílias de se chegar ao mesmo objectivo? A sério, faltam-me três anos e já ando às voltas com estas coisas…

Às vezes, há pais que decidem ficar em casa com os filhos e serem eles responsáveis pela educação da miudagem. Propõem-se ao ministério, seguem um programa, os miúdos vão às provas nacionais (outra porcaria, enfim!!!) como os outros…tudo legalizadinho. Digo-vos que cada vez acho esta ideia mais interessante…escola em casa, ensino doméstico, homeschooling…(espero em breve poder trazer-vos informação sobre este assunto com uma daquelas minhas entrevistas).

E pronto, acaba assim a minha cruzada neste mundo do incentivo à natalidade…Gostava tanto de não ter que falar sobre isto, de viver num país onde a família e ter filhos não fosse visto como um entrave…de dizer que vou ter 3 filhos e não haver gente a dizer que tenho muita coragem. Sim, dá trabalho, mas e depois? Andamos cá todos só para ter uma vida fácil ou para termos uma vida preenchida? E pode ser preenchida sem filhos, sim, pode. Mas o que me custa é sentir que tanta e tanta gente queria ter mais filhos e tem medo, muito medo deste país e do que estes governantes se lembram de fazer, mudar ou estragar. Medo de não ser capaz, de não estar à altura, porque está sem emprego, porque não consegue pagar as contas, porque até vive bem mas não sabe até quando, porque não tem tempo nenhum para estar com os seus, porque não consegue acompanhar os filhos na escola, porque está assoberbado de trabalho, porque está cansado.

Eu gostava muito de não sentir o meu país a envelhecer sem renascer.