Hoje estou sem inspiração; aliás, tenho vários temas pensados, mas estou sem pachorra para escrever (o que é raro em mim). E hoje sinto-me cansada, já não tenho os pés inchados, mas a barriga já me pesa. Lamúrias de uma grávida quarentona!

Posto isto, lembrei-me de um texto que escrevi há muito tempo, quando elas estavam quase a fazer 3 meses. Cá vai!

“23-Agosto

Partida, largada, fugida. Acordam à mesma hora, mudo a fralda às duas, biberão para as duas, uma vai para a mãe, a outra para o pai que tem que se despachar para ir trabalhar. Uma adormece a seguir a arrotar, levo-a para a minha cama para poder dormir mais um pouco, a outra adormece também, o pai deita-a ao meu lado. Tudo perfeito para mais umas 2 horitas de sono, não fosse a L esbracejar como se estivesse a competir nos 400m mariposa e a J passar o tempo a mexer nas orelhas qual treino de wrestling com ela própria…ainda assim, elas dormem…eu é que não. Vou tratar da minha higiene, coisa difícil por vezes, e a L acorda de vez. Sessão de brincadeira, fraldinha mudada, leitinho, arrotar, conversa, abanadelas na espreguiçadeira, dormir. Nisto a J já não quer dormir mais, consigo-a enganar enquanto dou o leite à outra. Depois é a vez da J: sessão de brincadeira, fraldinha mudada, leitinho, arrotar, conversa, abanadelas na espreguiçadeira, dormir. O pai vem almoçar a casa para ajudar, cozer massa num instante, ainda consigo fazer salada, acordam as 2 quando a comida fica pronta. Almoço acompanhado de palhaçada para distrair uma delas e de uma prova de comer-só-com-uma-mão-e ter-uma-criança-ao-colo-ao-mesmo-tempo. Prova superada, porque a do colo adormece. Consigo assim dar mama à outra, à da palhaçada, que no fim adormece…óptimo, assim consigo dar o leitinho à que adormeceu no colo do pai. Arrota depressa rapariga que a tua irmã não ficou satisfeita e agora quer leite do outro, penso eu. A L faz-me a vontade e vai para a espreguiçadeira e adormece sozinha, coisa rara. A J bebe leitinho fica sentada no colinho um pouco e pede para dormir na espreguiçadeira. Ah, uns momentos livre. Levantar a mesa, beber água, ir ao wc, ligar ao sr. da PT, fazer encomenda no hipermercado online, o site não funciona mesmo na hora de finalizar, ligar para a linha de apoio, L acorda, pego nela, adormece outra vez, descanso um pouco e vejo tv…chiça, nada de jeito na tv ou sou eu que não acho nada interessante? L acorda de vez, mudo fralda, chego à sala e tenho a J a chorar a sério (ou à séria como se diz por aí), a pedir leitinho. E agora? Em revista passam-me várias possibilidades acompanhadas de breves momentos de caos…decido-me por mudar a fralda à J. No entretanto, L, que achava que ia logo logo beber o leitinho, começa a perceber que está a demorar e desata a chorar (à séria, pois claro). Já que é assim, ficam as duas na sala a ensaiar um concerto em dó menor e eu tento preparar os biberões com grande rapidez, para a seguir me sentar no chão entre as duas espreguiçadeiras também com grande rapidez, colocar os babetes igualmente de forma rápida e espetar com o biberão na boca de cada uma e calar de vez o concerto. Elas olham para mim de lado, sem perceber bem o que está a acontecer. Resultou. É o que interessa. A partir daqui seguem-se mais sessões de brincadeira, fraldinha mudada, leitinho, arrotar, conversa, abanadelas na espreguiçadeira, dormir já com a presença do pai, o que torna tudo mais fácil. Cheguei à meta.”

(na foto, as garotas já têm 6 meses e é do 1º dia em que iniciei a sopa, que correu tão mal, que foi um desespero para mim…elas adormeceram de exaustão…acho que foi a pior fase para mim…mas um dia falo disso)