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Tudo o que tenha a ver com gémeos salta-me naturalmente à vista. E foi por isso que encontrei o blog T2 para 4, porque era de uma mãe de gémeas e mais tarde percebi que estamos a poucos quilómetros de distância.

A M foi a minha primeira entrevista do blog. Respeito-a muito, porque além de ser mãe e mulher, é muitas vezes médica, quase sempre terapeuta, muitas vezes educadora e psicóloga. Adora escrever e aqui vos mostro o que me enviou quando lhe pedi que me falasse dela e do blog:

Sobre o blog:
Um T2. Uma família que passa de 2 para 4. Um (duplo) diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo. O esforço de manter uma vida normal em tempos difíceis, a vários níveis… Em suma, uma aventura vivida a 4.
Apesar de o tema dominante ser o autismo, o t2para4 não deixa(rá) de ser também o local de partilha de momentos, de tralha (mystuff), de imagens, de tagarelices. E será sempre sempre um veículo de luta contra a discriminação, o desinteresse social, a alienação de direitos básicos dos nossos filhos. O nosso cantinho de lutas, desabafos e partilhas.


Flashback sobre mim (para as piolhas):
Uma pequena paródia ao título da série, mas by me, “How I met your father”
Por detrás do ecrã e das palavras que escrevo, nos antigamente da mulher que hoje leem e vos escreve, esteve uma miúda extremamente insegura, super complexada, pouco social (para os parâmetros da época), nada fashion e demasiado marrona. É a imagem que muitos tiveram de mim, é a imagem que tenho de mim nesses dias.
Era tão difícil conseguir enquadrar-me… Dava-me bem com toda a gente mas não havia propriamente um grupinho do qual fizesse parte. Gostava de estar com os colegas da turma mas preferia mil vezes trabalhar e estudar sozinha. Na Faculdade, os meus locais prediletos eram os Institutos de Línguas, principalmente o de Estudos Norte-Americanos. Olhando para trás, sinto saudades daquele espaço, daqueles livros. Adorava pesquisar textos nos livros recomendados nas extensas bibliografias dadas pelos professores. Claro que, na altura eu ainda não era o “eu” de agora nem havia séries de culto ao estilo Criminal Minds ou NCSIS onde aparecem freaks e génios super bem integrados e pouco dados a bullying onde a integração deles parece algo super cool e fácil, pelo que, esta minha paixão e atitude não eram lá muito bem encaradas no meio envolvente. Era uma gaja porreira para arranjar estas cenas para os colegas mas nada mais. Não era gaja de copos nem de festarolas e muito menos de bebedeiras, pelo que, a minha vida social académica, bem, não existia. Obviamente que, como devem calcular, alguém assim não é lá muito popular e é facilmente caricaturizado.
And then, I met your father. E, não foi preciso muito para saber que era “o tal”. Lembram-se da miúda insegura e complexada? Ainda existia mas, ainda que com medos (patéticos, diga-se de passagem), lá foi avançando com a sua vida e, o seu primeiro amor, foi o seu primeiro namorado que, mais tarde, se tornaria no seu marido, vosso pai. Foi até bastante simples. E, embora com incertezas, lá nos decidimos a ficar juntos, e assumir responsabilidades e compromissos: comprámos casa, casámos, tivemos filhos. E é, assim, simples e natural, na verdade.
A grande vantagem de se ter no marido o nosso melhor amigo é podermos confiar nele cegamente e saber, com toda a certeza possível, que ele quer o melhor para nós. E, ao longo destes anos todos (e já lá vão 15, acreditam?), fomo-nos moldando à vida, um ao outro, aceitando as nossas profissões e nunca desistir de lutar por aquilo que realmente interessa. Pôr o mau-feitio a ajudar-nos.
Fiquei outra pessoa a partir do momento em que comecei a dar aulas. Apavorada por ter que enfrentar centenas de alunos que me poderiam julgar pela roupa que vestia, pelo cabelo, pelas borbulhas na cara, se era bonita ou feia, decidi seguir em frente na mesma e, minhas filhas, nada como enfrentar os nossos próprios demónios e inseguranças. Nós somos os piores juízes de nós próprios. Cresci, amadureci, aprendi imenso.
And then, I met you two. E nem sabia que era possível apaixonarmo-nos em partes iguais por seres tão pequeninos e indefesos totalmente dependentes de nós para o bem e para o mal. E é incrível a força que nos dão e como nos tornaram tão fortes e tão lutadores, capazes de enfrentar tudo. E, apesar de, muitas vezes, não ser nada fácil lidar com este meu “eu”, ter mudado bastante, prefiro-me assim pois, graças aos três sou mais forte, não quero saber do que os outros pensam do que visto ou se tenho borbulhas na cara, tenho a força k para enfrentar as adversidades que surgem e sou apaixonada pelo que faço. E o meu grande objetivo, tal como o do vosso pai, é proporcionar-vos o necessário para que sejam felizes, mesmo que isso implique remexer no baú das recordações que preferíamos guardar. Não faz mal mudar, se isso faz de nós pessoas mais confiantes, lutadoras e justas.

E o artigo que mais gostei foi este:

17 coisas que me dizem…