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Conheço a Vanessa há alguns anos. É da malta do Atenas, onde eu fui adoptada depois de conhecer o pai cerejo. Temos o mesmo segundo nome. E temos o mesmo apelido. Apesar disso não somos família. Também não somos as amigas mais chegadas. Sempre gostei de conversar com ela e mais que isso, do estilo dela, assim com bom gosto e diferente. Uns anos depois ela foi para o Porto, trabalhar. E agora parece que sempre lá viveu, tal a sua paixão pela cidade. Conheçam o Yard of girls onde a Vanessa mostra muito do seu estilo e do que ela gosta, carregadinho de boas fotos do Porto. Uns dias depois de lhe ter pedido para me falar dela e do blog, ela escreveu assim:

“porque tens tu um blog, Vanessa Alexandra?”

é uma pergunta que me faço bastantes vezes, porque às vezes, muitas vezes até, isto não faz sentido para mim, porque não sei o que quero, o que quis ou se alguma vez vou querer alguma coisa com este blog.
já o disse, não pretendo, nunca pretendi, fazer vida de blogger, that’s not my thing, that’s not my name.
E nunca pretendi porque me conheço suficientemente bem para saber que ser blogger é trabalhoso, exige tempo, exige pesquisa, dedicação, uma série de coisas que não tenho disponíveis por opção.

e se não é isso, o que me leva a permanecer aqui, a alimentar esta coisa virtual?Não tenho nada para acrescentar à moda, à beleza, às tendências. há centenas de blogues que o fazem tão bem que repetir as proezas dessa gente, que trabalha afincadamente para ter uma voz nesse mundo, até me soaria um pouco desonesto porque de moda só sei do que gosto e do que não gosto e de beleza não sei quase nada, uso um creme de dia e outro de noite, ambos do Lidl, e uso um rímel da Kiko e, às vezes, bâton.
ou seja, sei rien de rien.
e então o que é o yard of girls?
pensei sobre isto, fui lá atrás, ao início, percorri velhos posts. coisas que disse, que escrevi.
e descobri que o yard é a minha medida de tempo!
o meu sítio de pousar a cabeça, a minha construção de memórias futuras, de coisas minhas, de invernos, primaveras, verões e outonos. 
é rotina, a minha rotina de coisas repetidas que enganam a memória: os muitos passeios a dois. os muitos passeios com o Peninha. o Porto. o meu gosto por trapos. o prazer de comer e de me sentar à mesa com um copo de vinho à frente, de preferência cheio, à taberneira.
o yard é sim, uma medida de tempo. um “você esteve aqui”.
 
descobri também, nos rascunhos de tanta coisa que escrevi com o coração ao peito, que a idade ajuda a dominar demónios, apazigua, leva-nos a outra noção de nós próprios, a outra dimensão do que somos, nem sempre idêntica à que sempre julgámos que fosse. não melhor ou pior. diferente.
 
este blog não vai viver forever (nobody wants to live forever) mas ocupará sempre o seu lugar no meu passado, na paisagem onde as minhas recordações têm vida.
 

 

Está aí a Primavera e algo no meu corpo se transforma.”

 

Gostei muito do último post: