Gostava que este artigo fosse sobre como sobreviver a ir a banhos ou a longos banhos numa praia paradisíaca. Mas não. É sobre estratégias para gerir um amontoado na hora do banho.

Ponto 1: não dou banho todos os dias. Vá, no Verão, talvez sim. Agora e no Inverno, não dou. Lavo caras, mãos, pescoços, sovacos, pés, rabinhos e respectivas partes íntimas. No bidé. Cabelo e banho inteiro, duas a três vezes por semana, que não é o mesmo que dizer dia-sim-dia-não. As cerejinhas podem até andar com o cabelo por lavar cinco dias seguidos que não se nota nada. Já a mãe, ui, ui, ao terceiro dia pode fritar batatinhas na cabeça. Confessada que estou, agora já sabem de onde vem o cheiro, ahaha, tadinhas das minhas meninas…Assim que o moranguito se conseguiu sentar mais ou menos, passou a tomar banho com as manas, ali tudo ao molho; enquanto dou banho a elas, ele fica entretido a brincar, depois uma segura-o pelos braços para eu lhe molhar a cabeça e a seguir viro-o para a outra para o enxaguar, e tenho ali duas ajudantes super profissionais. No início só tinha que ter cuidado para não encher demasiado a banheira, porque para lavar cabelos das manas é preciso muita água…e juro que houve um dia que ele comecou a boiar de tanta água que havia.

Ponto 2: fico com as costas todas partidas quando lhes dou banho. As cerejinhas quase sempre, ou melhor, desde cedo que tomam as duas banho ao mesmo tempo. Quando ainda não se sentavam bem, tinha uma espreguiçadeira de banho oferecida para uma e um banco de banho comprado para a outra. No fim do banho, colocava aquele colchão muda-fraldas do ikea no chão e enquanto vestia uma, a outra ficava no chão em cima de uma toalha, a brincar. Desde que têm um ano que em vez de toalha de banho, passei a usar roupão de banho, porque assim a que fica à espera, está mais agasalhada e o roupão não passa a vida a cair como a toalha; compro o roupão sempre dois tamanhos acima para dar para muito tempo (ainda esta semana aproveitei o preço deste para mudar o da Laura ). No Inverno, vestimos na casa-de-banho e assim só é preciso um aquecedor e é mais rápido. No Verão, vamos para o quarto e demoro muito mais tempo, porque têm coisas com que se distrair e passam a vida a fugir e a cantar músicas do Frozen e outros delírios.

Ponto 3: deitei aqueles bonecos de borracha todos pró lixo. Sim, comprei um conjunto daqueles bonecos de borracha para o banho, o golfinho, a baleiazinha, o polvo, o peixinho, tão fofinhos até que apertei um deles e junto com a água saíu uma nhenha preta muito feia (fungos senhores, são fungos) e foi tudo para o lixo. Descobri as canetas de sabão e são um sucesso. Uma vez fomos à sig toys, comprei dois puzzles para as cerejinhas e mais duas prendas para umas amigas e a rapariga gostou tanto de nós que nos ofereceu uns brinquedos de banho espectaculares, e é o que temos usado desde então. Podem dizer “o meu filho não brinca no banho, é lavar e sair”. Sim concordo, mas depois de estar de joelhos a dar banho a três criaturas, preciso de descansar um bocadinho e sento-me a tirar macacos do nariz a pensar na vida, enquanto eles brincam ali um bocado. E para isso é preciso haver algum brinquedozito.

Ponto 4: sou sempre eu que lhes dou banho. Sempre foi assim; às vezes, quando o banho não é antes de jantar, o pai cerejo está na fase de vestir. Mas como geralmente o banho é dado quando se chega a casa, partilhamos assim as tarefas: eu dou banho, ele cozinha e garanto-vos que saímos todos a ganhar.

Ponto 5: às vezes, algum dos meus filhos toma banho comigo ou com o pai. E nem é porque sejamos descomplexados quanto ao corpo ou porque queiramos que eles encarem o corpo como algo natural, é simplesmente porque é mais rápido e prático. Pronto, é isso, não há nada de espiritual nesta escolha.

Ponto 6: sou uma banho-em-conjunto-dos-filhos evangelizadora do pior. Porque as costas só se estragam uma vez. Porque se poupa água. Porque se poupa aquecimento. Porque eles adoram. Porque é um momento muito relaxante. Porque é fabuloso vê-los a rirem tanto por causa de um simples banho.

(num dos últimos banhos, na parte em que estava tudo esfregado e eu queria descansar, decidi cantar um fado – não me peçam para mostrar ou arrependem-se amargamente – e a cerejinha L disse: “espera mamã, tu cantas e a Júlia é a Marisa, o Jaquim é o Pedro Tostas e eu sou o Manel” e desatou a rir à gargalhada…e eu também, a imaginar o Tochas a mudar o nome artístico para Tostas e eu a cantar na audição do Got Talent Cerejal)