Da capacidade de argumentação

Elas estavam a brincar e a conversar, julgava eu. Mas quando o tom me pareceu um pouco mais engalfinhado, fiquei atenta à conversa e registei esta parte:

L – Tu não comes carne como eu, não tens força.

J – Mas eu sou mais nova!

 

Tumbas! Argumento que arruma qualquer mulher a um canto, a outra é mais nova do que nós!

 

Da vida práctica

J – Mãe, já sei como podemos não gastar dinheiro.

Eu – Então?

J – Não vamos ao café, não compramos guloseimas, não comemos gelados, não compramos brinquedos, não vamos ao supermercado.

Eu – Ao supermercado temos que ir para termos comida cá em casa.

Ficou a pensar uns segundos.

J – Então vamos a pé!

 

Filha, estás contratada para gestora, ok?

 

Da intuição

A Jú às vezes entra no mundo dela e abstrai-se muito do que se passa à volta. No entanto, é muito mais intuitiva do que a irmã, que apesar de ser muito perspicaz, as coisas mais subtis passam-lhe ao lado. Tem dificuldade em exprimir-se em grandes grupos e em fazer-se ouvir. Temos investido no aumento da sua confiança e auto-estima, e tenho reforçado que ela é muito boa a inventar histórias e que podia partilhá-las com os amigos. E outra coisa que ela apanha bem, são os sentimentos.

O mano dormia a sesta, nós víamos um filme de sábado à tarde, daqueles parvos de adolescentes, americano, já nem sei qual era. A cena passava-se numa gelataria. O dono pedia ao empregado adolescente para levar três gelados à cliente que estava no balcão à espera. Quando o miúdo lá chegou, era “aquela” miúda da escola. Ela disse-lhe “Olá! Não sabia que trabalhavas aqui”. E ele, no instante a seguir, deixou cair os gelados. E a cerejinha J sentada no chão a ver com atenção, disse imediatamente “ele gosta dela!”. E eu fiquei tão contente, ela entende tudo tão bem, adora ver filmes, mesmo os que não são em português. E para verem a diferença, a cerejinha L que estava mesmo ao lado, não apanhou nadinha, só perguntava “O que é que ele disse? O que é que aconteceu?”.

 

Da associação de ideias

L – Mamã, sabes qua quando a pêra fica podre saem de lá umas moscas?

Eu – Sim, filha, sei. É a mosca da fruta.

L – Porque houve outra mosca que pôs lá uns ovinhos.

Eu – Mas sabes que essa mosca foi muito importante para nós sabermos coisas sobre a genética.

L – O que é isso?

Eu – É a ciência que estuda os nossos genes, que são umas partes muito minúsculas do nosso corpo onde está escrita muita informação sobre nós e sobre coisas que herdamos dos nossos pais. Por exemplo, vocês conseguem dobrar a língua tal como o papá consegue. Mas a mãe não é capaz de fazer isso. Essa característica vocês herdaram do papá.

L – Mas ó mãe, tu tens que aprender a fazer isso.

Eu – Isso é uma coisa que não se aprende a fazer. Já nascemos com essa capacidade ou não. E a mãe nunca vai ser capaz de fazer isso, porque não tem esse gene, essa informação no corpo, percebes?

L – Mas mãe tens que tentar fazer. Que é para quando fores velhinha conseguires fazer palhaçadas para os bébés.

 

Acho que foi um bocado cedo para lhe estar a enfiar com teorias da hereditariedade para cima…quer-se-me cá parecer.

 

Da capacidade de motivação

Fui à despensa, vi que tinha os ingredientes todos e toca de fazer estas bolachas de chocolate na bimby.

L – A mamã cozinha muito bem!

Eu – Ó filha, não sou eu, é a bimby.

L – Não, tu cozinhas muito bem. A bimby não sabe estender a massa.

Eu – Pois é. Mas eu também não sei fazer isso muito bem.

L – Então, mãe? É como o play-doh!

 

Laura, a mais nova guru do coaching mundial, especialista em empowerment feminino!!!!!!!!!