No cerejal também há birras. Muitas. Das filhas e da mãe. Se calhar não são daquelas como se vêem nos filmes, de se atirarem para o chão no meio do supermercado. Se calhar não são assim tão frequentes, mas que as há, há.
Mas há uma birra que nunca aconteceu, em 9 meses de moranguito. Birras de ciúmes por causa do mano. E digo-vos, ainda bem!!!! Porque não sei muito bem como é que iria lidar com isso. Talvez por sempre terem sido as duas, sempre terem tido uma mana a dividir colos e atenção, por nunca terem sido filhas únicas, agora com o nascimento do mano, não se ressentiram.
Na primeira semana, pediram mais colo, sim, é verdade. Andaram um bocado descontroladas nos horários e também por dormirem pior, tinham mais tendência a ficarem birrentas. No entanto, nunca me disseram “tu agora só queres o mano” ou “já não gostas mais de mim” ou “não quero mais o mano cá em casa”. No início, houve ali umas semanas que queriam mais o pai do que a mim. É natural: ele é que lhes deu mais atenção, ou melhor, toda a atenção que eu não podia dar porque estava super-grávida ou na maternidade ou a amamentar ou a dormir. Curiosamente, a birra que tem a ver com o mano é mais do género “a Júlia já está há muito tempo a brincar sozinha com o mano, agora quero ser eu”…vá lá a gente entender.
Talvez tenha aprendido umas coisas com o que fui lendo aqui e acoli, e estas são as minhas dicas, correndo o risco de serem estúpidas, porque não sei o que é ter um filho único que de repente passa a irmão. Afinal sempre tive duas filhas ao mesmo tempo que sempre foram irmãs.

  1. Durante a gravidez, não dizer que vem aí um mano e agora a mamã vai ter menos tempo para ti e tal e coisa. Parece parvo, mas é muito fácil sairem-nos estas pérolas. Quem nunca disse coisas aos filhos sem pensar primeiro, que atire a primeira pedra. Olha, a mim saem-me muitas das quais me arrependo quase no instante em que as digo.
  2. Incluir o filho nas idas ao médico, nas ecografias para irem ver o mano. Fazê-lo sentir-se especial, que vai ter um irmão para brincar quando for mais velho e que vai poder ensinar a fazer muitas coisas.
  3. Ir com ele comprar a primeira roupa ou um doudou para o mano e deixá-lo escolher, mesmo que seja muitooooo feio, não interessa, foi ele que escolheu, está escolhido (se for muito caro, aí é preciso mostrar-lhe que se escolher um mais barato vai poder depois ter mais coisas, porque não se gasta o dinheiro todo numa só coisa).
  4. No dia em que vai visitar o mano e a mãe à maternidade, ter uma prenda do mano para ele (as cerejinhas receberam estas saias que foi o mano que lhes deu…ãh? o puto mal nasceu, foi logo às compras!)
  5. Já em casa, tentar ter momentos a sós com o filho mais velho e dizer-lhe “vamos aproveitar agora que o mano está a dormir e fazer aquele puzzle que gostas tanto?” e deixar a roupa e as coisas da casa para outra altura. De vez em quando, fazer uma actividade na rua só com ele, sem o mano. Vai sentir que continua a ser especial.
  6. Se o filho estiver habituado a ter os brinquedos todos que pede aos pais, aos avós, aos tios, sei lá (em minha casa não é assim, porque não podemos; mas há casas onde os miúdos são durante muito tempo filhos, netos e sobrinhos únicos e as pessoas podem dar o que os miúdos pedem), tentar por fases fazer-lhe ver que o dinheiro tem que ser distribuído. Combinar com ele uma prenda que ele queira mesmo, um brinquedo ou outra coisa, estabelecer uma data e dizer-lhe que se gastar o dinheiro em coisas pequenas, depois não vai poder ter aquela especial que escolheu. A razão verdadeira será a chegada de mais uma boca para comer, vestir e mudar fraldas. Podemos explicar-lhe isto, mas não acho que seja tão fácil de interiorizar como a estratégia das prioridades, pelo menos comigo.
  7. Quando o mano consegue fazer uma coisa nova, chamá-lo “filho, anda cá depressa que o mano já bate palminhas! Queres ser tu a tirar a fotografia?”
  8. Falar com outras mães e pais. Apesar de haver sempre gente a querer meter o bedelho e até a ser desagradável com comentários do género “o meu filho nunca me fez uma birra. Ai dele!”, também há pessoas com bons conselhos e genuinamente disponíveis para ajudar e compreender. Eu continuo a acreditar na bondade das pessoas.
  9. Dar muito colo. Quando não for mesmo possível, combinar “agora estou aqui a mudar a fralda ao mano, mas assim que acabar, já te dou muito colinho, combinado filho?”, “Desculpa a mamã, mas agora é complicado, esperas um pouco, eu e já dou. Podes ajudar a mamã e passas-me os toalhetes?”
  10. Quando o bébé já ficar sentado, dar banho aos dois em conjunto (eu dou aos três ao mesmo tempo, cabem todos na banheira e as minhas costas só se estragam uma vez, chiça). É um momento muito calmo e relaxante, e de cumplicidade. Vale a pena!
  11. Pedir desculpa, porque nem sempre fazemos bem, nem sempre temos paciência, nem sempre conseguimos falar sem berrar. Abraçar muito os nossos filhos. E parar, parar de vez em quando. Ficar ali só a observar. Contra mim falo, eu tento, mas nem sempre consigo. Mas tenho isso sempre no meu pensamento. Vou tentando e conseguindo, aos poucos.

Espero ter ajudado.