Sabemos que estamos noutro patamar quando vamos a um concerto do Lloyd Cole, ele mesmo sozinho mais duas guitarras, nós sentados o tempo todo, à espera desesperadamente pelos êxitos da década de 90 (Jennifer She Said e Forest Fire). Foi isso que fui fazer ontem à noite, desafiada pela minha amiga Cláudia…obrigada!

Desde a maternidade que tenho saído poucas vezes sem a prole e normalmente, nunca em conjunto com o pai cerejo, porque antes eram pequenas demais, agora são agarradas aos pais demais…mas lá chegará o dia.

Umas idas ao cinema, outras para actuar quando ainda se faziam os Estilhaços, e pouco mais. E ontem para um concerto. Uau!!! E foi assim:

– quase a entrarmos na auto-estrada, pergunta-me a Cláudia “trouxeste o bilhete?”. What??? Bilhete? Qué isso? Siga para Norte, para ir a casa buscar o bilhete, atirado pela janela pelo pai cerejo, preso por uma mola, e entretanto caído em cima do cão do vizinho.

– já tínhamos tomado café e a mim estava-me a apetecer um moscatel. Subimos, dizia que o bar também era lá acima, num sítio que mais parecia um bengaleiro e onde junto com a máquina de café só se viam águas e sumos. Uma fila grande. Achego-me de lado e pergunto à sra. muito atarefada: por favor, tem moscatel? Ela responde alto e bom som, por entre o seu trabalho de dispôr pires e colheres de café, “não tenho bebidas alcoólicas aqui”. Para além de ser quarentona, ainda tenho que passar por alcoólica!!!!

– ora um concerto assim para o paradote, ao sábado, com malta acima dos quarenta, cansadas e com filhos, sentadinhos e confortáveis, aproxima-se perigosamente de uma sessão de relaxamento. Aposto que houve gente que dormiu esteve só a descansar os olhos.

– fui ver o Lloyd Cole ao Coliseu em 1991 com as minhas amigas Lena e Sara e Paula (caí nas escadas do Coliseu…nessa vez passei por adolescente totó e desta vez por dependente do moscatel), ele e os Commotions. Sabia as letras, comprava os álbuns. Agora lembrava-me dessas mesmas letras, mas não conhecia a maior parte das outras músicas. Sinais dos tempos. Se me perguntarem as letras das músicas da Sónia e as Profissões, ganho o concurso. Como quando, há uns tempos a minha mãe me perguntava se tinha visto a gala das sete maravilhas de Portugal. Isso dá no Canal Panda?

– havia gente muito bem aprumada, arranjada, reluzente. Eu também podia ter ido assim, mas primeiro não é o meu estilo, depois não tenho tempo. E quando decido pôr rimel, esqueço-me no minuto a seguir e toca de esborratar tudo. Ah, esperem, pintei as unhas. Aliás pintámos, eu e as cerejinhas. Tão fofinhas que elas ficam de unhas pintadas!!! A L escolheu cor-de-rosa, está claro e a J amarelo (não façam perguntas, ok?, ela escolheu, está escolhido).

unhas