Há uns dias, estava eu a chegar ao trabalho com aquele meu ar esbaforido decidido, encontro uma amiga que sorriu e disse “estás assim, tão…gira”. Quem eu??? Estás a gozar. Pronto, ok, estou mais magra e isso ajuda ao figurino, ok, mas gira? Tu já viste bem o estado das minhas botas que têm mais de 3 anos? E esta camisola cheia de borboto? E as unhas cheias de efeitos aos ziguezagues, fruto de pertencerem a uma naba a cortar unhas? E as leggings compradas no chinês com montes de linhas soltas? E os trezentos mil cabelos brancos? E as sobrancelhas por fazer? Não gozes, pá! (a minha amiga é linda, a sério, ela vê o belo em tudo).

Depois deste episódio lembrei-me de uma mensagem deixada por uma amiga aquando de um pedido meu no facebook para os fãs seguidores escolherem temas para eu falar no blog. A mensagem dela era mais ou menos assim: “A feminilidade – como continuar a cuidar de nós mesmas com tão pouco tempo!!. O salto alto? A maquilhagem!? A roupa sexy? Eu que sempre usei saltos, quando estou com a minha filha não tenho hipótese. Ou sou sexy de salto alto e roupa sexy, ou sou mãe!! Não consigo ser as 2 pessoas ao mesmo tempo! Como é que corro atrás dela de mega-saltos, como é que me baixo para a apanhar sem mostrar as mamas (poucas que me restam, camufladas por um mega soutien almofadado)? Ou parto os pés e pareço uma doidinha (e não sexy), ou sou uma mãe descontraída e sem dores nos pés – mas também deixo de ser eu. É isto. Agora faz lá magia , que eu adoro ler os teus textos”.

Prometi-lhe que iria escrever sobre o tema, mas fiquei à rasca. Eu a escrever sobre roupa sexy? What? Não percebo nadinha de tal conceito, para mim há roupa gira e confortável, não há roupa sexy. Eu a escrever sobre saltos altos. Ãh? Os saltos mais altos que tenho são de uns sapatos da Camper que é a das poucas marcas que alia saltos (vá, não se pode chamar àquilo salto alto) a conforto e que já não calço há que séculos. Eu que o maior tempo que passei de saltos foi quando fiz “O Corpo Não Espera” na Bonifrates e tinha que subir para uma cadeira com aquilo (10 cm), e os meus pés tremiam cheios de medinho de se esbardalharem dali abaixo e os tendões viam-se a quilómetros gritando socorro, a pedirem uns sapatinhos rasos, por amor da santinha. Eu que fui uma vez classificada por uma colega, quando outro tentava dizer-lhe ao telefone quem eu era e ela lhe responde “ah, já sei, aquela colega que anda sempre de rasos” (sempre é melhor que aquela estúpida, ou arrogante, ou chata). Eu que passei anos a ter que usar “roupa para trabalhar” e assim que fui despedida, fui a correr comprar umas sapatilhas para passar todos os meus dias com elas calçadas e só não dormia com as sapatilhas porque, vá, não dava grande jeito.

Vai daí falei com a minha amiga Eduarda que tem um blog e faz consultoria de imagem para escrever sobre o tema. Será que se pode ser sexy depois de ter sido mãe e usar saltos rasos? Ela aceitou o desafio e aqui está o artigo. Meninas, eu sabia que era possível. Espreitem lá as sugestões da Eduarda.

E também fiquei a pensar na pergunta “uma mulher fica mais ou menos sexy depois de ter sido mãe?”. Eu tenho cá a minha opinião e até podia falar sobre isso, mas esta é aquela pergunta que os homens que seguem este blog (não são muitos é verdade, mas são dos bons)  também podiam vir cá responder…e deixar a visão deles.

Não sei o que é ser sexy, não percebo bem esse conceito. Não gosto de decotes, não gosto de roupa muito justa, não sou fã de saltos, não tenho gosto em padrões tigresse…

Sei o que é ter pinta, o que é ter bom aspecto, sei o que é ser interessante. E isso consegue-se com roupa justa e pouca ou com golas altas e enchouriçada até ao pescoço, com botas e stilletos ou com sapatilhas e botas de montanha, com maquilhagem e cabelo pintado ou com óculos e aparelho nos dentes. É o estilo de cada um e a sua personalidade que tornam as pessoas interessantes e únicas, e se isso é ser sexy, então seja.

(a foto é da True Colors Fotografia no Parque da Mealhada, num convite espontâneo por mim para ela ir fotografar um dia de outono…estou como sou…com o que veio à mão naquela manhã de sábado)