Eu queria ter tido um dia da mãe fofinho agora que até tenho mais um filho. Eu queria ter feito um passeio com a malta toda atrás e tirado fotos do amontoado. Eu queria, mas não tive um dia da mãe assim.

Choveu o santo dia todo. O passeio e as fotos ficaram logo para outro dia qualquer.

Tossiram o santo dia todo. O tal dia fofinho tornou-se num dia de termómetro em punho, paracetamol aos molhos e choradeira total.

Desde esse dia que era para ter sido fofinho, já lavei várias vezes a roupa da cama, que entre xixis e vomitados, tudo lhe aconteceu. Na primeira vez, o pai cerejo é que estava com a cerejinha J e eu fui a correr porque ouvi aquele som tão característico. Passei por ele na casa-de-banho com a mão toda vermelha e a dizer “que é isto? É sangue?”. Não. Eram morangos. Há pouco percebi como fica uma massa fusilli depois de duas horas no estômago de uma criança. Não é bonito, posso garantir.

Acresce a isto uma outra cerejinha que passa muito mais rapidamente pelas maleitas e que recupera em dobro a energia que não teve nesses dias que esteve doente. Digo-vos que me espanta a capacidade desta garota em não parar um segundo, mesmo que seja apenas estar a mexer o dedo mindinho, tem que estar sempre em acção, o raças da garota. Provavelmente, são todas iguais, as crianças de 4 anos. E ontem que se vira para mim e diz “mamã, o teu filho está a chorar”…dá para não seres tão atenta às vezes, Laurinha, dá? Estão a ver aquela coisa tão típica dos casais que é falar dos filhos para o outro assim, como se não fossem dos dois, “o teu filho isto, o teu filho aquilo”. Nunca mais. Fica muito feio. Obrigada filhota por alertares a mamã.

Acresce ainda a isto um garoto de quase quatro meses à rasca com os dentes, a deitar litros e litros de baba!!! Babetes muitos, precisam-se…tenho alguns emprestados, mas ainda assim não chegam.

E depois eu. Uma mãe sem paciência nenhuma, a berrar muito, a exigir muito. Uma estúpida. Que tão depressa estava aos miminhos como a gritar e a mandar vir com elas. Que ao mesmo tempo que o fazia se arrependia. Que está fartinha de ver a cerejinha J há mais de um mês sempre doente, todas as semanas com qualquer coisa. Que no meio de tanto caos se esqueceu de telefonar à sua própria mãe. Que está cansada. Que está feliz.

Como diz a V aqui, aquele foi mesmo um dia da Mãe.