Este é o género de artigo que sei que um dia mais tarde, quando as minhas filhas chegarem a adolescentes e o tiverem lido, vão querer trucidar-me. Percebo que não seja fácil lidar com o facto de a mãe partilhar pormenores sobre a sua fase de deixar a fralda e passar a usar o bacio/pitó/penico/sanita. Mas é a vida, meus amigos, faz parte e como é uma fase que eu odiei passar e quando chegar a vez do moranguito vou detestar na mesma, e porque muita gente se pergunta como há-de fazer, hoje o artigo é dedicado ao desfralde.

Desfraldar uma criança tem a sua ciência. Desfraldar gémeos, nem vos digo.

A primeira premissa é ter calma. A criança é que manda, ela é que deve dar sinais que quer e está preparada. Podemos ir propondo e sugerindo, mas nunca forçar.

Ter muita paciência também é essencial e nunca por nunca diminuir a criança por não ter conseguido.

Ter sempre muitas mudas de roupa, porque mesmo que a criança já tenha deixado a fralda vão haver muitos descuidos, principalmente quando está a brincar e aguenta até à última porque parar para fazer xixi é uma seca. Abastecer-se de cuecas, assim tipo, vinte, também é recomendável.

Não comparar com os irmãos ou os amigos da escola ou os filhos dos amigos. Cada criança é um indivíduo e as bexigas não são todas iguais.

Borrifar-se para aquilo de que nas prés já não querem crianças com fralda, porque se o vosso filho tiver que ir para a pré de fralda, vai e vai mesmo, e vocês é que mandam. Sim, é recomendável, mas se tiver que ir, vai e não há drama. Tem tempo para tirar a fralda.

Promover o reforço positivo para quando conseguem ir sozinhos, cantar, abraçar, fazer a dança do cócó, sorrir com os dentes todos, telefonar à avó a contar, ir a correr com o bacio mostrar ao papá, vale tudo para a criança se sentir valorizada.

Estabelecer um acordo com a criança sobre uma data para começarem (o aniversário, as férias) e evitar que coincida com a chegada de um irmão ou com a retirada da chupeta; consegue-se mas é muito mais difícil e é mais um factor de stress para a criança.

Escolher a primavera ou o verão para iniciar o desfralde. No Verão é mais fácil porque andam mais à vontade, sem roupa ou com pouca, e também porque a roupa seca muito depressa. Há quem diga que a primavera é a altura ideal, pois no verão como bebem mais água também fazem mais xixi. As férias costumam dar jeito para isso.

Não ter só bacio e ter tambémm um redutor de sanita, porque há crianças que preferem ir à sanita como os adultos. Não são precisos bacios ou redutores caríssimos, mas sim que sejam ergonomicamente adequados.

Acredital que é possível, apesar de parecer uma cruzada sem fim à vista, sinuosa e difícil. As crianças mais cedo ou mais tarde deixam a fralda, primeiro de dia e depois à noite, ou até ao mesmo tempo.

Agora vou contar-vos como foi com as cerejinhas. Tinha decidido que era depois dos 2 anos, em Julho, nas férias, no Verão e as duas ao mesmo tempo. Asneira! Pelo menos para mim, ter as duas ao mesmo tempo a desfraldar, era um canseira: roupa a dobrar para lavar imediatamente na máquina encharcadinha em xixi, sempre de esfregona na mão, sempre com dois bacios montados no wc a ocupar espaço, uma canseira! Nessa altura, não estavam preparadas de todo, nem uma nem outra. Abandonei a tentativa. No final de Agosto tiveram as duas varicela com quinze dias de intervalo e aproveitei esse tempo em casa e com calor, para tentar. Só a cerejinha L é que se mostrou disponível e interessada em partir para a aventura, e eu confesso que me deu um certo jeitinho a outra não querer. Correu bem e em Setembro, ela estava desfraldada de dia. De noite só aconteceu no ano seguinte, pelos 3 anos e foi ela que pediu para não ter fralda de noite que a incomodava.

A cerejinha J só começou a tirar a fralda em Abril do ano seguinte e foi muito rápido, porque ela já tinha mais noção do que era e já se controlava melhor e estava de facto muito mais preparada. E eu também já tinha tido a experiência da outra, o que ajudou muito. No entanto, a cerejinha J ainda agora com quase 5 anos, usa fralda de noite (esta é a parte que ela vai detestar ler quando for adolescente). E porquê? Porque quando íamos tentar que ela a tirasse, o Joaquim tinha nascido e eu tinha mais que fazer do que andar de volta de camas molhadas com ele bébé e o caneco. Depois, porque ela dorme que nem uma pedra e mesmo que faça xixi e fique toda molhada, não acorda…só de manhã já toda roxinha de frio é que começa a sentir-se desconfortável e fria. E por isso é que ainda não insisti. Ando em conversações com ela para ver se começamos quando fizer os 5 anos…ela não se mostra com muita vontade, vamos ver. Acreditam que ela é tão franganita que usa as fraldas do Joaquim? Ou é ele que é gordinho, eheheh.

O desfrade do xixi é difícil, mas o pior mesmo é do cócó (deve haver uma forma mais científica de dizer isto, mas estou com preguiça de ir pesquisar). E este é que foi o nosso verdadeiro drama…porque “ambas as duas” só queriam fazer na fralda e se fosse preciso, aguentavam dias ou esperavam até à noite, a dormir, descontraídas, para fazer na fralda. A cerejinha J agachada a um canto e a cerejinha L em pé agarrada a qualquer coisa (mais uma parte que elas vão odiar ler quando forem crescidas). Um dia conto-vos a minha saga no corredor do Girasolum, uma agachada ao lado da loja dos bomboms e outra agarrada às minhas mãos, com aquele esgar de força porque já não aguentavam mais e estavam à rasquinha…só a mim, a sério!!! Mas também aqui, conseguimos, com muitaaa insistência minha, a tentar perceber se tinham medo ou nojo ou as duas coisas, cheguei a prometer uma trotinete a uma e uma bola saltitona a outra, sei lá, fiz trinta por uma linha…um dia, com elas completamente à rasca, não lhes meti fralda e levei-as à sanita, agarrei-lhes nas mãos e conseguiram. Um drama! Depois, sempre comigo agarrada às mãos delas, lá continuámos, muitas vezes a medo, mas cada vez mais confiantes. E agora vão sozinhas e também já fazem na escola.

(agora ando de volta do “desfralde” da Ginja…e daqui a um ano, o desfralde do Jaquim…e é isto a minha vida, de esfregona na mão desde 2013)