Encontro esta frase por aí, por vezes, que diz que os amigos são a família que escolhemos. Fico sempre a pensar nisto. Terei sido eu a escolher os amigos ou os amigos a escolherem-me a mim? Para mim são uma parte muito importante da minha vida. Não sei se cultivo a amizade, se semeio e rego todos os dias, se sou correspondida, se mantenho vivas as relações. O que eu sei é que tenho os melhores amigos do mundo. E ninguém o pode negar.

As minhas amigas de infância, talvez mais de adolescência, estão por aí, espalhadas por este país e pelo mundo. Até à semana passada tinha uma delas aqui muito perto, mas que foi embora para a Galiza para ter o quentinho da família e crescer com a filhota. Estivemos uma manhã à conversa, a ouvir e a falar. Nessa tarde ela ia embora. Quando nos abraçámos e dissemos adeus, quase que chorei. Nem sei como me aguentei, ali no meio do shopping. Era tão bom tê-la aqui tão perto. Também não está longe, mas é outro país…sei lá, fiquei mesmo triste.

Estas amigas têm filhos ou não, vidas diferentes, pensares diferentes. Mas quando falamos, nos vemos, cheiramos, tocamos, parece que nunca estivemos longe, parece que vivemos juntas na mesma casa há 30 anos. E quando é preciso fazer algo por uma de nós, é a união total, é o carinho total, mesmo à distância. Gostava tanto de termos um fim-de-semana por ano para estarmos todas juntas, com a filharada e os maridos atrás…eu sei que ainda o vamos fazer.

As amigas de infância fazem parte de mim. Respiro e sinto com elas. Faço planos para as ver. Sei os gostos delas. Sei de cor os números de telefones fixos. Sei as datas de nascimento. Sei as dos filhos…filhas neste caso…vou agora quebrar a tradição com o nascimento do moranguito.

E depois há as amigas feitas por cá, conquistadas no curso, no teatro, no trabalho, no mundo dos gémeos. Estas amigas não sabem o meu número de cor, não conhecem a minha adolescência, não nos conhecemos há 30 anos. Mas temos vivências juntas, algumas complicadas, em momentos difíceis e chatos, e outras em momentos muito muito bons e alegres. Estas amigas estão aqui muito perto, mas com o frenesim do dia-a-dia nem sempre estamos juntas, às vezes passa um ano ou mais. Mas quando precisamos umas das outras, estamos sempre disponíveis. Estas amigas dão tanto em tantas vezes que é como se as conhecesse a vida toda.

Adoro as minhas amigas todas, tenho assim uma paixão gigante por elas. Fazem-me bem, fazem-me sorrir com a cara e o coração, são parte da minha vida, preocupo-me e pergunto por elas.

Também tenho amigos, homens, destes. Mas hoje só quero falar das meninas, das minhas amigas.

E há lá melhor sensação no mundo do que ir às lágrimas de tanto rir ao lado de uma amiga? E aqueles abraços entre amigas? E aquele tempão que passamos ao telefone? E aquela ansiedade antes do encontro ao fim de vários meses sem nos vermos?

Ontem tive muito disto, foi muito bom. Obrigada amigas lindas, as que estiveram e as que não conseguiram estar. Gosto de vocês daqui até ao céu.

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