Lá por casa fazemos todos anos entre Maio e Setembro. Ou melhor, fazíamos, até chegar o Joaquim que ao ter nascido em Janeiro torna a minha mania de fazer a festa de aniversário ao ar livre, muito mais complicada de realizar. Até se pode fazer, mas é mais incerto que esteja bom tempo. Ainda andei a ver de sítios ao ar livre com algum espaço coberto para o caso de chover, mas não encontrei nada adequado. Depois pensei fazer em casa, mas a minha falta de energia, tempo e pilim, fizeram-me esquecer depressa essa possibilidade.

Algumas pessoas iam perguntando o que precisava o Joaquim para lhe comprarem uma prenda, e eu só conseguia responder “nada”. Roupa tem dos gémeos amigos e de um outro menino; brinquedos tem os das manas e muitos. Uma amiga é que me fez dar o clique, comecei a pensar, a pensar e cheguei à solução ideal. E se alguma instituição nos emprestasse o espaço para fazermos a festa e as pessoas em vez de darem uma prenda ao Joaquim, transformavam esse valor em donativo para a instituição?

Cheguei assim à Casa dos Pobres de Coimbra, onde vivem 60 idosos, que tem um salão enorme, espaço cá fora para o caso de estar bom tempo, um arroz doce divinal, aparelhagem sonora e gente muito boa e disponível. Levei uma manta, brinquedos, cordas para saltar, uma trotinete, música, champanhe (que nos esquecemos de abrir na hora dos parabéns…a sério, cabecinha xoné), morangos, gomas, a minha amiga C fez o bolo de aniversário e o resto da paparoca foi preparada pela casa. Ainda aproveitámos a animação que os Palhaços d’Opital lá fazem habitualmente.

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Os meus amigos são os melhores do mundo e arredores, e aderiram sem pestanejar, deram donativos em dinheiro e em géneros (roupa de vestir e de casa) e explicaram aos filhos que a prenda do Joaquim não seria algo comprado, mas sim um donativo para quem tem pouco e precisa mais. Os meus amigos são os melhores do mundo e arredores, já vos tinha dito?

E claro que teve que haver uma pinhata, aliás, uma mega-pinhata, feita praticamente toda na manhã da festa pelo pai cerejo, num contra-relógio alucinante porque o raio da cola não secava, só lá foi com a ajuda do secador. O resultado final foi muito bom, era gigante, atafulhada com guloseimas (obrigada M)!!!

O meu filhote esteve muito bem, sempre bem-disposto, foi ao colo e brincou com toda a gente, eu quase não estive com ele. Um doce de morango, o meu Joaquim.

Ainda houve um momento recreativo em que o pequeno T cantou um fado para a malta e depois, a criançada quis cantar também. A minha Laurita Catita surpreendeu tudo e todos quando pegou no microfone e disse “estou muito feliz por estarem aqui na festa do Joaquim”…era ver-me a destilar baba, tanta, tanta. A minha Julinha Fofinha também perdeu a vergonha e cantou os parabéns ao microfone virada para o público. E houve depois outras meninas que cantaram e encantaram.

Foi uma festa de aniversário diferente. Talvez faça disto regra. Não sei. Tornar a festa dos filhos um momento solidário, incentivar as outras crianças a dar, a contribuir, mostrar que o que importa é estarmos juntos, divertidos e felizes…talvez faça disto regra, talvez.

Obrigada a todos por terem ido cantar os parabéns ao Joaquim, obrigada à Casa dos Pobres pela disponibilidade e simpatia, obrigada aos meus filhos por alinharem nestas invenções da mãe, obrigada pai cerejo por seres tão jeitoso…ooops, uhm, uhm…tão boa pessoa. Obrigada!