Esta coisa de educar os filhos é muito difícil. É o desafio maior que uma pessoa pode ter na vida. E quase tudo, quase tudo o que aprendem, vem do exemplo. Saber isto põe-me uma pressão enorme nos ombros. Às vezes, quando estou aos berros com as minhas filhas, tenho dificuldade em parar. Fico agarrada àquela coisa de ralhar e berrar. Entro num loop, quero parar e custa-me.

Quando finalmente consigo, é porque já descarreguei o que queria. Afinal eu precisava de descarregar. Mas devia tê-lo feito com as paredes e não com as minhas filhas. Elas não têm culpa. Elas são crianças, estão a crescer. Elas não têm que ser perfeitas. Eu é que tenho a idade para saber o que está mal e o que está bem. Eu é que tenho que saber que as minhas filhas não merecem os meus berros.

Quando finalmente consigo parar, é porque uma delas me pede que páre, agarrada aos ouvidos ou a chorar e a pedir abracinhos. E eu páro, triste comigo, a minha filha está ali a chorar, só quer o meu carinho e o meu abraço. Revoltada comigo, porque tinha dito que não ia berrar mais e ia tentar resolver as coisas de outra maneira, com calma, a falar normalmente. Cansada de mim mesma.

Quando finalmente consigo parar, é porque fui bruta com a minha filha e ela me diz, a chorar, “mamã, tu queres ficar sem Júlia?”. Ó meu amor, não, claro que não! Anda cá! E abracei-a muito e chorei muito. Sim, ela tem razão, quando estou assim aos berros e a ser bruta e feia, parece que quero ficar sem ela. Mas não quero. Nunca!

Parei, ela acalmou, eu também. Começámos a brincar. Juntas e serenas. Com os manos ao lado. E ela recomeçou a sorrir e eu deixei de berrar e ser chata. Mas fiquei o resto do tempo a pensar no que ela me disse, na expressão de tristeza dela…a minha filha tão linda! E de cada vez que me lembro, fico com lágrimas nos olhos. Eles não precisam dos meus berros, eu tenho que conseguir ser melhor e dar o exemplo.

Vem aí o fim-de-semana. Vamos estar juntos, todos os minutos. E vai ser muito bom. Porque eu não vou berrar. E vamos estar felizes.