Somos utilizadores das Ludoteca de Coimbra desde que as cerejinhas têm 18 meses. Para além de um sítio fantástico para brincar, tem a grande vantagem de ter uma biblioteca imensa e podermos levar emprestados para casa 5 livros por criança, durante 15 dias renováveis. Ora, isto no meu caso dá 15 livros no total. É muito livro!! É lá que recorro quando oiço falar de algum livro ou quando quero explorar com elas algum tema. Chego ao pé dos colaboradores fantásticos da Ludoteca e digo “ouvi falar do livro x” ou “que livro me aconselham sobre o tema y?”. Outras vezes aproveito as sugestões de leitura ou os livros escolhidos para a sessão de contos daquele dia.

Já em casa, a maltinha nova sabe que os livros da Ludoteca ficam numa estante exclusiva para isso (para não se misturarem com os outros e depois na hora de os devolver, não andar feita barata tonta à procura deles). Também sabem que não os podem estragar e têm que ter cuidado a utilizá-los, porque são para devolver e para outras crianças lerem.

Na última ida, a querida O disse-me “viu aquele livro que partilhei?”. Vi sim e fiquei super curiosa. “Vou buscá-lo. Vão ser os primeiros a levar o livro.”

E eis que descobrimos o mundo maravilhoso e encantador dos insectos e da sua admiração quando encontram um pequeno rebento de uma planta. E logo se perguntam Ké Iz Tuk?. A partir daqui, entramos no imaginário da autora, Carson Ellis, uma mulher cheia de talento, com uma vida muito peculiar, e que se deve ter divertido aos potes a escrever e a ilustrar este livro.

Pensei ler primeiro o livro sozinha e só depois com as meninas, porque queria primeiro saber o desfecho da história e se eu própria conseguiria decifrar o que cada palavra inventada quereria dizer. Mas depois parti à aventura e lemos o livro em conjunto, todos deitados na minha cama, moranguito incluído.

Os pormenores a cada virar de página são deliciosos, a ilustração está cheia de vida e as palavras trocadas são tão familiares que até ficamos felizes. Ao longo do crescimento da planta, os vários insectos vão tentando perceber o que é aquilo e decidem transformá-la num castulo. As cerejinhas apanharam logo tudo, afinal estão mais do que habituadas a fazer construções com coisas e materiais desconhecidos na escola.

Já quando estavam todos contentes a desfrutar do seu castelo, aparece uma ameaça terrível, uma aranha enorme que lança a sua teia para cima da planta, o terrível Nhareto Nhacoso. Entretanto, a planta cresce e no cima surge algo novo. Ké Iz Tuk? Florêmelha!!!

E daquele casulo que foi crescendo a cada página, surge uma linda borboleta. O ciclo renova-se com um novo rebento, após um Inverno nevoso.

Um livro carregado de imaginação e pormenor, que as crianças adoram, porque elas próprias são assim, inventivas, curiosas e que se encantam com uma planta a crescer, e que perguntam imensas vezes Ké Iz Tuk?