Comecei a trabalhar nas férias grandes com 16 anos. Comecei na cozinha de um restaurante a descascar batatas e arrumar loiça, foi só um fim-de-semana, mas deu para ficar fartinha. No ano a seguir, fui promovida a caixa e servia as bebidas numa tasquinha: tinha a responsabilidade de fazer trocos depressa, de não faltar dinheiro na caixa ao fim do dia e aprendi a tirar finos (uma aptidão muito útil para o resto da vida, ahahah). Depois, através de um protocolo com o Instituto da Juventude e mais tarde já contratada pela direcção (abraço Prof. Gouveia), passei a trabalhar no secretariado da feira, das 9h às 17h, onde tratava da papelada toda dos expositores, artistas e tudo o que havia para fazer. Intercalei um ano como tomadora de conta de uma exposição de fotografia, mas gostava mesmo era da parte do secretariado. Já na faculdade, estive o mês de Agosto no posto de turismo da UC a vender postais e outros “recuerdos” aos turistas. Esse dinheiro servia para ir de férias com os amigos ou simplesmente para comprar aquilo que queria ou que precisava. Será que agora isto ainda é possível? Sem se acusar os pais de exploração, sem vir a asae dizer que está ali um funcionário sem segurança social? Fez-me muito bem, mesmo muito bem, trabalhar no Verão, conheci muita gente interessante, aprendi a ser despachada, a ter o meu dinheiro e também me diverti muito, porque estávamos ali em contacto com artistas e bandas que a malta admirava na altura.

E onde é que foi isto? Na FACIF, aquela mítica feira agrícola, comercial e industrial do Fundão, em Agosto, a abarrotar de gente, visitantes e expositores, com um cartaz musical extraordinário. Foram muitos anos e bons. Lembram-se daquele homem, fanhoso, que todos os anos lá aparecia a querer autógrafos dos artistas (a Elba Ramalho era muito requisitada) e que dizia ser o dono da FAFIFE ou da FANIFA.? Desde aí, eu e as minhas amigas, nunca mais largámos o nome FANIFA.

E quando acabávamos a noite na disco-night lá da terra, com os artistas? Os Xutos eram quase que intimados a ir e há uma célebre noite em que a minha amiga S passou o tempo a dizer ao Tim e ao Zé Pedro “Ó Gin, tu e o teu amigo Zé-Tó são muita fixes”. Ainda hoje me estou a rir!

Depois, um dia não houve mais FANIFA e acabou-se. É pena!

Este ano, temos ido com as cerejinhas visitar algumas destas feiras. Fomos à Feira Popular de Coimbra e desculpem lá qualquer coisinha, mas por 1,5 euros podiam fazer muitooooo melhor. Fui só com as duas, uma queria andar no carrossel, a outra não. Convenceram a L com pipocas a ficar com os amigos (ó pá, um subornozinho de vez em quando não faz mal nenhum) e eu fui com a J, que apesar de um bocadinho com medo, lá aceitou. Só que assim que nos sentámos, a senhora do carrossel desata a falar e, tenho para mim, que ou a voz dela é mesmo assim esganiçada, ou ela aperfeiçou-se ao longo da vida para ter aquela voz de cana rachada (e com o som em altos berros)…a J queria sair, só dizia “está muito barulho, mamã” e a senhora continuava “AINDA PODE ENTRAR, MAIS UMA VOLTA, MAIS UM VIAGEM, AINDA PODE ENTRAR, VAI COMEÇAR A ANDAR”…ai os meus ouvidos! E quase à meia-noite é que a L disse que afinal queria experimentar o carrossel e eu, dois finos e três farturas depois, já não era coisa que se me apetecesse; disse-lhe que já estavam a fechar (a mentira piedosa) e prometi-lhe que na semana seguinte iríamos a outra feira.

Eram as festas de uma santa qualquer em Condeixa, com tasquinhas e tal, e disse-lhe que íamos lá jantar e que depois andava com ela no carrossel…pois, mas não havia…humpffff. Já da outra vez, ela falou que também gostava de experimentar os carrinhos de choque, só que não havia dos de criança, só de adulto. Ficou então prometido para outra vez (porra, passo a vida a fazer promessas).

E surge a Expofacic que é gigante; se o ano passado, só com as meninas já achei aquilo muito cansativo e caótico, este ano com o moranguito atrás, tornava-se ainda mais complicado. Mas nestas coisas, eu acho sempre que, desde que algumas coisas estejam asseguradas, tudo corre bem. Por exemplo, chegámos assim que abriram as portas, pelas 19 e picos, e fomos logo comer a uma tasquinha já recomendada; mesmo assim ainda esperámos um quarto de hora, mas valeu a pena…tirando o facto de estarmos a comer mesmo ao lado do palco dos ranchos folclóricos (há aqui um padrão, ou estou enganada? As vozes de cana rachada perseguem-me).

fotografia 2-2

fotografia 3-2

A seguir, e como já estavam a ficar fartas da confusão, fomos ao relvado onde estão para aí uns oito insufláveis desde os pequenos até uns gigantes; muito bom, elas adoraram! Com elas é quase tudo combinado e muito pouco imposto, ou melhor, fazemos o que elas pedem, mas quando disser que é para ir fazer outra coisa, elas não fazem birra e tem resultado. Depois fomos ter com os nossos amigos da bybebé que têm lá um “stander”, a seguir comemos um gelado, vimos os animais, casa-de-banho e insufláveis outra vez (neste último, foi de rir até às lágrimas porque era um corredor e elas tinha que correr e estavam sempre a cair, tão divertido). A seguir, fomos andando para a saída, o pai bebeu uma ginja, a mãe um fino que estava cheia de sede (se podia beber água para tirar a sede? Podia, mas não era a mesma coisa). E chegámos à zona dos carrósseis e outras maquinetas (onde estava a mesma senhora da tal voz, eu não digo?) e lá estavam os mini-carrinhos de choque. A L pediu, a J também disse que sim, que queria ir. Fui ver as idades, era a partir dos 3 anos. Comprei a ficha. Sentei-as no carrinho, a campainha tocou, meti a ficha e fugi. Olhei, para trás, a L assumiu os comandos com montes de estilo, a J assumiu o papel de pendura e riam-se à gargalhada, estavam tão contentes!!!!! Para primeira vez, correu muito bem, ninguém diria que não dominavam a técnica há anos.

Falta dizer que o Joaquim dorme o tempo todo, se for preciso, com barulho, claridade ou luzes super-fortes. O meu miúdo é um fixe!

E por aí, também gostam de feiras?