Há tempos, alguém me perguntava a opinião sobre o JI das cerejinhas. Entre várias (muitas) coisas que abordei e elogiei, a importância dada à autonomia das crianças, principalmente na hora da refeição, foi uma delas. Foi lá que elas aprenderam a usar a faca, a servirem-se, a levantarem a sua loiça no fim de comer.

Ok, em casa também o fazíamos, mas confesso que com pouca insistência, mais porque eu estava cansada e era mais rápido se eu fizesse por elas. No entanto, talvez um ou dois meses depois de lá terem entrado, achei que devia manter em casa os bons hábitos adquiridos no JI, de autonomia à mesa. Para além de usarem garfo e faca em condições, também é muito bom que se saibam servir sozinhas. Assim aprendem a usar, por exemplo, uma tenaz, a acertar com alvo do prato, a perceberem a quantidade certa de cada comida/alimento que devem tirar para não estragarem comida e para terem um prato equilibrado em termos nutricionais.

Hoje em dia, quase a fazerem seis anos, servem-se sozinhas, quando acabam de comer levam a loiça do pequeno-almoço para lavar, ajudam a pôr a mesa do princípio ao fim. Se o fazem todos os dias? Nem todos. A grande maioria dos dias, sim. Ganhei em ajuda e deixei de ter toalhas sem nódoas ou limpas mais que cinco segundos, mas isso não é nada importante.

O moranguito começou cedo a pegar na colher para comer sozinho. E como começou a comer da nossa comida (como dizem os antigos, começou a comer da panela) aos 9 meses, depressa sentiu necessidade de usar o garfo e a colher. Podia ter usado as mãos, mas não sei de onde lhe vem a veia asseadinha que o puto não gosta de ter as mãos sujas. Com o miúdo mais pequeno, percebi que o importante não é mandar para que ele queira fazer, é ter bons exemplos a seguir e se ele vir as irmãs a servirem-se sozinhas, e a levarem a loiça para a cozinha, tenho a certeza que o vai querer fazer naturalmente. Já ajuda a pôr a mesa, é tão fofinho.

 

O que sempre incentivámos, nós pais das cerejinhas, foi o interesse pela cozinha, naturalmente pelo pai, porque o veêm cozinhar e forçado por mim, para que não venham a ser umas nabas e desligadas da cozinha como eu. Neste assunto, elas têm perfis de interesse diferentes, ambas gostam de ver e mexer, mas a cerejinha L é mais rápida a aprender e reproduz tudo com precisão.  Também gosta muito de experimentar todos os utelsílios da cozinha. A cerejinha J gosta mais de inventar e conjuga sabores muito bem.

Só para terem um exemplo, vejam aqui a cerejinha L a fazer molho vinagrete para a salada.

Com três anos, penso que as crianças estão prontas para ter autonomia à mesa e participar no momento da refeição. Assim estamos a ajudar os nossos filhos a crescer. Aproveitem o embalo que o JI vos proporciona, arrisquem.

Mas querem saber a verdadeira razão para promovermos a autonomia dos nossos filhos à mesa? É conseguirmos comer o jantar ainda quente!!!!!!!!!! Ah pá, sabe tão bem meter a primeira colherada de sopa à boca e estar quente, não é morninha, é quente, quente! E não ficar com dores de braços por ter cortado três bocados de carne aos bocadinhos para cada um dos membros do amontoado. Egoísmo puro, é o que é!