Umas cerejices em momentos difíceis.

 

No momento do jantar, para comer a sopa, choradeira pegada.

J – Não quero comer a sopa.

Eu – Mas tens que comer que ontem não comeste. Vá lá. É de espinafres, tu gostas muito.

J – (mais berreiro) Não quero isso, quero a pêpê.

Várias trocas de galhardetes depois.

Eu – Olha, pronto, fica para aí a amuar que eu vou comer a minha sopa que estou cheia de fome.

Entretanto, a cerejinha L que nunca quer comer a sopa, levava colheradas à boca com grande satisfação.

L – Mamã, comi tudo!

Eu – Que linda! Muito bem, estou muito contente.

Continuei com a minha sopa e de repente a cerejinha J encosta-se a mim.

J – Mamã, gosto de ti!!!

Peguei-lhe ao colo, dei-lhe mimos e comeu a sopa.

 

 

Mesmo antes de sair de casa, a cerejinha L quis pintar os olhos.

Eu – Vá anda cá depressa que eu pinto-te os olhos.

L – Eu pinto.

Eu – Não, eu é que pinto porque estamos com pressa e não temos tempo.

L – Mamã, mas eu quero.

Eu – Já te disse que de manhã é a mamã que pinta para não te sujares.

L – Mas eu quero pintar.

Eu – Não insistas…(por esta altura, já estava aos berros, ao lado dela, junto à cara dela)

L – Mamã, fala mais baixinho!

Calei-me, pintei-lhe os olhos, deixei-a pôr o batom e saímos de casa.

 

Há quem diga que algumas birras são boas, manifestam a capacidade de reclamar, reivindicar, de exigir…algo que vamos perdendo com a idade.